Caminhar sobre as águas desse momento

Ponte dos Ingleses: um porto, um abraço do braço do mar, um encontro com o horizonte, paisagem firme e flutuante.

Por Naiana Gomes e Patrício de Alencar

Uma reta é o menor caminho entre dois pontos. A matemática afirma, a vida confirma: seguimos construindo pontes, buscando as melhores distâncias (firmes) entre terras firmes. Há pontes, entretanto, capazes de superar os propósitos para as quais são construídas.

A Ponte dos Ingleses, localizada na Praia de Iracema, orla de Fortaleza, na verdade não é uma ponte. Nasceu para ser um porto, tendo sua construção iniciada em 1921, pela empresa inglesa Norton Griffts CO, e, até 1940, cumpriu a função simbólica de ponte entre navios, pessoas e produtos vindos de além-mar, e seus destinos na capital cearense. Desde então, a estrutura de madeira em formato de extenso píer tornou-se ambiente de lazer e descanso, uma ilha flutuante, entre a cidade e o mar.

O ponto de encontro entre Fortaleza, o mar e o mundo

Atravessar a ponte é se deparar, a cada passo, com um novo mundo, tantas são as cidades; os países; as culturas representadas pelas origens dos frequentadores e visitantes. Para Tuto Cesar, 70, que mora nos arredores de Veneza e há seis anos vem regularmente ao Ceará, o local é uma ponte para a beleza, além de possuir um clima agradável: “aqui está uma temperatura muy buena”, comenta. Debruçando-se no parapeito, o italiano logo volta a concentrar-se na atividade em que o encontramos: observar o horizonte.

Vista da Ponte dos Ingleses. Foto: Naiana Gomes

Vista da Ponte dos Ingleses. Foto: Naiana Gomes

O conhecimento mais amplo das possibilidades do local faz com que vários fortalezenses tenham para ele usos mais diversificados: no entorno da ponte, uma grande quantidade de surfistas disputam ondas e enfeitam a paisagem, em alguns dos pontos mais altos da estrutura de madeira, casais e grupos de amigos se deitam para olhar o céu e conversar. Basta se distanciar um pouco do píer para encontrar vendedores de milho e pipoca.

Mais um passo e o mundo é novo. Uma menininha de vestido branco olha admirada para o céu. Quando lhe perguntamos o que ela está achando mais bonito, na ponte, a resposta é imediata: “a lua”. É Joana, de três anos, acompanhada pela mãe, Yolene Lima, 35. As duas moram no Rio de Janeiro, estão em Fortaleza pela segunda vez e tinham ido à ponte para ver o pôr-do-sol. “Mas, quando chegamos, o sol já tinha ido embora”, explica a mãe.

A carioca Yolene Lima e sua filha Joana: pôr-do-sol na Ponte. Foto: Naiana Gomes

A carioca Yolene Lima e sua filha Joana: pôr-do-sol na Ponte. Foto: Naiana Gomes

Os alicerces da paisagem

Yolene também repara na estrutura da ponte: “acho legal ela ser de madeira e ter durado tanto tempo”, comenta. A conservação do local é resultado de duas reformas, a primeira ocorreu em 1994 e a segunda em 2012. Apesar de, na mais recente delas, a ponte ter sido fechada por mais de um ano, o que possibilitou a troca de tábuas danificadas e aplicação de hidrofugante para proteger o concreto armado, cupinicida e verniz naval, pouco foi feito para garantir a manutenção da estrutura de apoio aos frequentadores: sete meses depois, os banheiros estão interditados e não há lojas e restaurantes em funcionamento. São carências sérias que, no entanto, não ofuscam a beleza da Ponte dos Ingleses.

Problemas de manutenção: banheiros e outras estruturas de apoio aos frequentadores estão inutilizáveis. Foto: Naiana Gomes

Problemas de manutenção: banheiros e outras estruturas de apoio aos frequentadores estão inutilizáveis. Foto: Naiana Gomes

Saiba mais

Ponte dos Ingleses é reaberta

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One response to “Caminhar sobre as águas desse momento”

  1. Naiana says :

    Meninos, gostei do título e tb do lide. Ficou dentro da proposta q discutimos em sala. O texto tb não se perdeu na estética, ele traz informações, pontuado pelas falas dos personagens. As fotos tb estão mto boas, afinal, a paisagem favorece. Gostei mto da foto da menininha olhando a lua.

    Algumas sugestões. No trecho, “manutenção da estrutura de apoio aos frequentadores: sete meses depois, os banheiros estão interditados e não há lojas e restaurantes”, prefira o ponto em vez de dois pontos.

    Poderia ter usado links ao longo do texto.

    O vídeo não está acessível. Vejam o que aconteceu.

    Parabéns!

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