Um olhar sobre a Iracema e outros monumentos da Av. Beira Mar

A “Virgem dos lábios de mel” é um dos símbolos de Fortaleza. E, na Beira Mar, um dos principais pontos turísticos da cidade, ela é retratada no ponto leste e oeste do calçadão.

Por Camila Magalhães e Lívia Priscilla

Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba. Além muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema, a virgem dos lábios de mel”. (Trecho de Iracema, obra de José de Alencar).

Três quilômetros separam uma Iracema de outra na orla marítima de Fortaleza. A Iracema Guardiã se localiza no bairro Praia de Iracema, a oeste do centro de Fortaleza e a Estátua de Iracema, no Mucuripe, a leste. O bairro Meireles fica entre as duas estátuas e abriga dois monumentos presentes na orla: o Jardim Japonês e o “Chifre do Governador”.

A Iracema Guardiã

Visitada por turistas e moradores, a estátua da Iracema Guardiã é dos anos 60 em comemoração aos 25 anos do bairro Praia de Iracema, e aos 100 anos da obra de José de Alencar. O monumento foi restaurado em 2012, durante o período de 02 de maio a 30 de junho e inaugurada em 06 de julho do mesmo ano.

O artista plástico responsável pela obra é Zenon Barreto que, em vida, presenteou o amigo e artista Descartes Gadelha com doze desenhos detalhados do projeto de sua escultura a fim de que ela fosse fundida em bronze. Jacqueline Medeiros, curadora da restauração, explica que “A partir desse projeto é que reconstruímos o arco e as ‘curvas’ de Iracema proporcionalmente, tentando aproximar o máximo às suas dimensões do desenho”.

Segundo Jacqueline, o significado da posição da Estátua da Iracema Guardiã “é de uma guerreira prestes a alçar a flecha em defesa da sua terra ou um ato de contrição diante da partida do seu amor, acredito que por isso o artista tenha colocado o título de Guardiã. Outro significado pode ser atribuído porque a Iracema guarda o segredo de Jurema, símbolo da fecundidade de sua tribo”.

A Estátua de Iracema do Mucuripe

A escultura é do artista plástico pernambucano Corbiniano Lins e mostra uma cena do romance onde está Iracema com seu marido, o português Martim Soares Moreno, o fiel cachorro Japi e o filho do casal, Moacir. Em meio ao cenário do Mucuripe, onde predominam as embarcações marítimas, a escultura retrata o momento da partida da família em uma jangada. Inaugurada em 24 de junho de 1965, durante o centenário do romance, sua última restauração foi realizada em maio de 2012.

Antes da restauração de 2012 feita por Franzé D’ Aurora, o monumento estava quebrado com sua estrutura interna de ferro corroída pela maresia. Foto: Lívia Priscilla.

Antes da restauração de 2012 feita por Franzé D’ Aurora, o monumento estava quebrado com sua estrutura interna de ferro corroída pela maresia. Foto: Lívia Priscilla.

A enseada do Mucuripe foi escolhida para colocar a escultura por ser o local onde Iracema contemplava o horizonte aguardando o retorno de seu amado, o “Guerreiro Branco”. Além destas duas, ainda há em Fortaleza outras estátuas de Iracema.

O “Chifre do Governador” 

O Interceptor Oceânico fica no meio da feirinha da Beira-Mar, frequentada por turistas e moradores da cidade. Foto: Lívia Priscilla.

O Interceptor Oceânico fica no meio da feirinha da Beira-Mar, frequentada por turistas e moradores da cidade. Foto: Lívia Priscilla.

O Interceptor Oceânico é uma obra do artista plástico cearense Sérvulo Esmeraldo, construído em 1976. A obra – que leva o mesmo nome do escoamento de esgoto que vai do Riacho Jacarecanga, na av. Leste-Oeste, até o riacho Papicu, na av. Beira-Mar – foi encomendada pelo governador Adauto Bezerra, mas não se sabe ao certo o motivo. Dentre as várias versões, a mais difundida é de que o monumento foi erguido para celebrar a conclusão do saneamento básico da capital.

Devido à confusão da população em relação aos motivos da implantação do monumento, a obra foi apelidada de “Chifre do Governador”, por causa do seu formato. A última restauração da obra foi em 2011.

O Jardim Japonês

O Jardim Japonês foi construído em homenagem aos 70 anos de imigração nipônica no Ceará. Foto: Camila Magalhães.

O Jardim Japonês foi construído em homenagem aos 70 anos de imigração nipônica no Ceará. Foto: Camila Magalhães.

O Jardim Japonês, inaugurado em abril de 2011, homenageia o primeiro imigrante japonês no Ceará, Jusako Fujita, que mudou seu nome para Francisco Guilherme Fujita, pois fugia da II Guerra Mundial.

A beleza do Jardim é indiscutível entre turistas e fortalezenses, mas a utilidade do mesmo é questionada por parte dos moradores, sendo o espaço bastante utilizado para ensaios fotográficos. Além disso, há presença constante da Guarda Municipal.

Grafite na Beira Mar

O "skate bowl" surgiu na década de 70, em Los Angeles, quando os skatistas procuravam uma alternativa para a prática do esporte fora das ruas. A ideia era andar de skate dentro de uma piscina vazia. Foto: Camila Magalhães.

O “skate bowl” surgiu na década de 70, em Los Angeles, quando os skatistas procuravam uma alternativa para a prática do esporte fora das ruas. A ideia era andar de skate dentro de uma piscina vazia. Foto: Camila Magalhães.

O foco de grafitagem na avenida é a “Praça do Bowl” ou “O buraco”, como é conhecida pelos skatistas que praticam o esporte no local. Ainda assim, é pequena, concentrada e divide espaço com a pichação na pista de skate. A maior parte dos desenhos não tem autoria identificável.

A opinião de moradores e turistas

Turistas e moradores que conhecem e frequentam a Beira Mar têm opiniões divergentes a respeito dos monumentos, principalmente sobre o Jardim Japonês.

Para saber mais

Restauração da estátua de Iracema do Mucuripe

Restauração das estátuas de Iracema

A trajetória de Zenon Barreto

Jardim Japonês vira atração para turistas e fortalezenses

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2 responses to “Um olhar sobre a Iracema e outros monumentos da Av. Beira Mar”

  1. Ivan Gondim says :

    Não é riacho Papicu e sim – RIACHO PAJEÚ.

  2. Naiana says :

    Meninas, acho q tanto o título qto o lide poderiam ser enxugados para ocupar o espaço de duas linhas apenas.

    O lide está mto seco, quase telegráfico.

    Tem algumas legendas mto longas tb.

    O texto está claro, porém, ele está objetivo demais. Vcs pontuaram os monumentos e não construíram uma narrativa fluida, o texto ficou fragmentado, blocado.

    Faltou descrição dos espaços, das obras e até mesmo uma observação em relação ao valor cultural que estas têm para o bairro e para a cidade.

    Por outro lado, vcs fizeram bom uso dos links e das imagens. Parabéns!

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