A rotina de um ambulante na Avenida Beira-Mar

Conheça Aloísio da Silva—, um vendedor de picolé do calçadão da Beira-mar que saiu do sedentarismo e caminha até 18 km por dia para vender seu produto.

Por Gustavo Sampaio e Ana Lídia Coutinho

Aloísio distribui simpatia durante a sua rotina vendendo picolés. Foto: Ana Lídia Coutinho

Aloísio distribui simpatia durante a sua rotina vendendo picolés. Foto: Ana Lídia Coutinho

Sempre sorrindo, de bermuda, tênis e um inseparável carrinho térmico, o vendedor de picolés Aloísio, — de 49 anos, é um exemplo de personagem de Fortaleza que encontra na fé, na família e na busca pela saúde o meio de encontrar a felicidade.

Visivelmente motivado por mais um dia de trabalho, Aloísio da Silva conversou com a equipe de reportagem do Lides e Algo Mais, que acompanhou a sua rotina de trabalho. Ele comenta que faz o mesmo roteiro duas ou três vezes, entre às 16h e 22h. Em meio à caminhada e algumas batidas no famoso sino do carro de picolés, o representante comercial comenta que entrou na profissão para complementar a sua renda familiar. “Trabalho há 30 anos como representante comercial. Além de vender picolé, trabalho com rolamentos industriais e já fiz homologações de três grandes marcas”, comentou.
Segundo o ambulante, o produto que vende atende às pessoas que têm intolerância a corante, refluxo e que buscam uma alimentação mais saudável. “Trabalhamos com o suco natural da fruta. A gente levanta essa bandeira do produto em si”, exaltou.

Aloísio exalta também o fato de ter saído do sedentarismo. “A gente estuda e tem uma família, então, tecnicamente falando, às vezes é desafiador pegar um carrinho e vir para uma posição menos favorável. Porém você acaba percebendo que mesmo nesse tipo de profissão, você consegue atrair pessoas, passar educação e um estilo de atendimento”, afirmou.

Relacionamento

Uma das características mais presentes na forma como Aloísio trabalha é o jeito que ele trata as pessoas. Em vários pontos do calçadão, pôde-se ver a forma simpática que conduzia as vendas, e em todos os momentos, o vendedor afirmou que o cliente poderia provar o picolé e se não gostasse do produto, poderia devolvê-lo. “O relacionamento com o público é importante. As pessoas perguntam: ‘É na água, ou é só na polpa? ’, e a gente pede para o cliente experimentar à vontade”, comentou.

Satisfeito com o trabalho, ele destaca ainda os benefícios de ser um vendedor ambulante: “O melhor de tudo é a convivência que a gente tem, as amizades que você faz, o respeito pelo cliente. O cliente lhe respeita muito e, assim, o processo se fecha maravilhosamente bem”, completa o ambulante.

O vendedor, sempre honesto, explica às clientes os benefícios dos seus produtos. Foto: Gustavo Sampaio

O vendedor, sempre honesto, explica às clientes os benefícios dos seus produtos. Foto: Gustavo Sampaio

Fiscalização

Apesar de satisfeito, Aloísio comenta ainda a respeito das desvantagens de ser ambulante na Beira-Mar. “Existem poucas coisas ruins nesse ramo. As dificuldades versam na condução do material e na fiscalização, que, ultimamente tem-se intensificado”, afirmou.

Recentemente, a fiscalização alterou a forma como os ambulantes devem trabalhar no calçadão. Não é permitido aos ambulantes se manter parados na orla. Com isso, há casos de hostilidade entre ambulantes e fiscais da Prefeitura. Porém, Aloísio comenta que manter um bom relacionamento com os fiscais é importante. “Apesar das diferenças, a gente cria algumas amizades. É uma coisa que faço. Dou bom dia e boa tarde. Falo com todos eles, para não trazer a animosidade natural entre ambulante e fiscal”, alertou.

Motivação

Casado pela 4ª vez, Aloísio afirma que ganha força para vender seus produtos a partir da vivência em casa. Mora com sua mulher, seu filho e uma entiada de 16 anos. “Casei quatro vezes. Oficialmente, só uma. Já tive pelo menos cinco mães. Sogra para mim é um presente de Deus”, exaltou.

Estéril, Aloísio adotou o filho de sua atual companheira e comenta que ele é o principal fator de sua felicidade. “Só tenho um filho, de 5 anos. Comecei a namorar com a mãe dele quando ela ainda estava grávida e resolvi assumir a gravidez. Foi o melhor presente de Deus na minha vida. É isso o que me faz feliz, é isso que me faz ir para a rua buscar uma coisa diferente”, encerra.

Por causa dos patins, que aumentou a circulação de pessoas na área, o calçadão da Praia de Iracema atrai muitos clientes para ele.

Aloísio segue a sua caminhada rumo à praia de Iracema, na área dos patins. Lá, muitos novos clientes tomam seu picolé no fim do dia. Foto: Ana Lídia Coutinho

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One response to “A rotina de um ambulante na Avenida Beira-Mar”

  1. Naiana says :

    Meninos, o título poderia ficar em uma linha, assim como o abre poderia ser reduzido para duas linhas.

    Esse tipo de recurso “Aloísio da Silva conversou com a equipe de reportagem do Lides e Algo Mais” é usado qdo a matéria tem uma natureza difícil, ou seja, algo que foi demorado e trabalhoso para ser realizado, sem falar no caráter de ineditismo. Nesse caso, não se aplica mto à nossa situação, pois, não querendo desmerecer seu Aloísio, mas há uma grande variedade de personagens que poderiam tb ilustrar a pauta, assim como ele.

    Sei q “estéril” é a palavra correta. Mas ela é seca, negativa. Poderiam ter dito essa informação de outra forma, de uma maneira mais suave.

    As fotos estão ótimas, contudo, meninos, o semblante dele é meio melancólico, contrastando com a personalidade positiva que vcs descrevem no texto. Fiquem atentos para isso, para q as imagens e textos dialoguem e não se contradigam.

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