O papel do maestro e seus mistérios

Quais os segredos para que o poder do maestro de emocionar “com a batuta da música” seja o mesmo ao longo do tempo?

Sarah Cavalcante e Vinícius Mateus

 

Notas rápidas que comovem, violinos e violas tocados com esmero, movimentos bruscos com a batuta – são muitos e variados os detalhes que compõem uma apresentação de orquestra, e bastantes também são os que passam despercebidos para o público em geral. Descrever tecnicamente como funciona a música orquestrada é, sem dúvidas, uma tarefa difícil. No entanto, deixar-se emocionar e narrar a natureza dessas emoções parece muito mais simples para os amantes da boa música.

Mas afinal, o que faz um maestro? O que significariam os tais movimentos da batuta no ar, e seriam esses movimentos realmente tão importantes quanto o som de um violino ou uma flauta, por exemplo? “O regente participa de um mundo sombrio” assim brincou João Carlos Martins, maestro da Orquestra Bachiana, em meio à sua apresentação no Theatro José de Alencar de Fortaleza, em abril de 2011. Mas o mistério que acompanha o trabalho do maestro, segundo os músicos, parece ser bem mais fácil de explicar.

A função, da forma pela qual é conhecida, surgiu no século XIX, na Europa. O maestro, que significa “mestre” ou “professor” em italiano, pode também ser simplesmente chamado de regente. Segundo David Aguiar, violinista de câmara da escola Viva Música, ele é “a alma do negócio”. É o regente que confere singularidade à interpretação da peça. “Imagine uma música, cantada da mesma forma, só que por duas pessoas diferentes. A mesma coisa acontece com os concertos. É o maestro quem lida com a individualidade dos instrumentos e dá individualidade ao concerto. A orquestra toca a música, e o maestro toca a orquestra” conclui o instrumentista.

Conceber interpretações de horas, acompanhar ensaios de vários profissionais de forma individual e fazer jus ao nome de uma orquestra parecem desafios enormes. Não é a toa que, para aprender a reger, o músico gasta várias horas de estudo e dedicação à causa. Na Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, a formação de um regente leva, em média, de cinco a seis anos. É o tempo médio de formação em um curso como o de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC).

E a música orquestrada, como é vista pelo público de Fortaleza?

Fortaleza, assim como outras diversas capitais do Brasil, também possui seus projetos de orquestras que promovem apresentações regulares em diversos espaços culturais. Arthur Barbosa, atual maestro da Orquestra Eleazar de Carvalho (Orcec), define a experiência da música de orquestra como uma “comunicação lúdica”. Na tentativa de aproximar a população a este gênero de música, o grupo de músicos da Eleazar de Carvalho tem promovido ensaios abertos e focados no público juvenil, apostando no dinamismo da interação entre os músicos e a plateia. Para a Orcec, tudo seria mais ou menos como um grande “aulão” ou brincadeira. Segundo a assessoria do grupo, o evento fornece experiências e oportunidades onde “noções de cultura musical são repassadas aos jovens, que tem a oportunidade de experimentar instrumentos e exercitar a regência”.

Para os músicos de outros estilos, a importância do regente e de seu gênero musical é sempre bem vista e deve ser reconhecida. O músico e vocalista da banda cearense de rock Exxon, Carlos Eduardo, se diz grande admirador de orquestras como a Eleazar de Carvalho ou a Filarmônica do Ceará. Mesmo “levando sua música” num outro estilo, não esconde a admiração que nutre pela música orquestrada: “O maestro e sua orquestra são fascinantes. Este estilo de música é fascinante… Mas não é para todo mundo. Tem que saber apreciar para aproveitar ao máximo da música”. Carlos explica que, mesmo que nunca tenha possuído interesse em tocar num conjunto do gênero, admira muito os profissionais da área. “Boa música, de todo tipo, é sempre bem vinda” complementa.

 

 

 

 

One response to “O papel do maestro e seus mistérios”

  1. Naiana Rodrigues says :

    Meninos,

    Gostei do título para uma publicação que não é factual e sim mais relacionada ao jornalismo cultural.

    Esse abre q vcs colacaram não costuma ser colocado em forma de pergunta, pelo menos, no jornalismo factual. Mas, como não estamos tratando de um conteúdo factual, está valendo.

    O lide está mto bom. Seu texto é fluido e, ao mesmo tempo, primoroso.

    O intertítulo está mto grande, na maioria das vezes, corrsponde a uma ou duas palavras. Qdo ele é assim, uma frase, tb funciona como link, direcionando para outro conteúdo informativo.

    Fonte: Carlos Eduardo – é apenas nome, faltou sobrenome.

    Atenção com a repetição de algumas palavras, principalmente da palavra música. E tb com uso de vírgulas e ortografia de algumas palavras, acho q duas apenas.

    Gostei mto da proposta do conteúdo audiovisual, ficou melhor do que gravar uma apresentação de uma orquestra, pelo menos, para nossa proposta.

    Senti falta das legendas das fotos e dos créditos tb. As legendas são essenciais, elas direcionam a leitura da imagem e atestam tb sua idoneidade.

    Senti falta ainda de links ao longo da matéria, até pq é uma matéria relativamente longa e que poderia apontar outros caminhos para sites especializados, para páginas das orquestras, se elas tiverem.

    No mais, gostei muito do modo como vcs conduziram a apuração e elaboraram o conteúdo. Pena que a desorganização, falta de comunicação e o tempo não foram aliados na execução dessa pauta, apesar de tudo, o trabalho atendeu às expectativas.

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