Para além do abandono: voluntários mobilizam esforços para ajudar cães e gatos de rua em Fortaleza

Instituições e grupos independentes unem forças para promover a adoção de animais abandonados na capital

Por Paulo jefferson Barreto e Elane Conde

Não é difícil encontrá-los. Largados nas ruas, eles estão por toda parte.  Vagando pelas avenidas, esquecidos nas esquinas, escondidos entre o lixo, há centenas de animais abandonados em Fortaleza.

Embora não exista um número oficial, de acordo com o Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV), estima-se que existam entre 30 e 40 mil cães e gatos abandonados circulando pela capital cearense. O número é alarmante, sobretudo porque sem lar, sem dono e praticamente sem qualquer assistência, os bichos estão sujeitos a doenças letais como a leishmaniose Visceral, o calazar, e colocam em risco a vida da população.

Ações de grupos de voluntários independentes e de organizações não governamentais tentam amenizar o sofrimento desses animais, promovendo eventos que estimulam a adoção e a arrecadação de recursos para manter abrigos que cuidam dos bichos doentes em situação de desamparo, mas o desafio ainda é grande.

Para a presidente da União Protetora de Animais Carentes (Upac), Mariana Baraldi, a falta de políticas públicas voltadas para a proteção desses animais agrava ainda mais a situação. “A gente se vira sozinho. Podemos cuidar de 300 ou 400 animais, como fazemos na Upac, mas e os outros 30 mil bichos abandonados em Fortaleza? Não recebemos apoio do Governo.”

Mesmo sem receber suporte por parte das autoridades, Mariana afirma que o trabalho voluntário tem crescido significativamente no Ceará. “Além da Upac, hoje existem outros grupos que também trabalham bastante promovendo a causa. E isso estimulou as pessoas a conhecerem melhor nosso trabalho. Hoje, elas estão se engajando mais. Temos uma série de seguidores que ajudam como podem.”

Só a Upac, conta com 12 membros efetivos, mas um grande número de colaboradores tem engrossado as fileiras do voluntariado em Fortaleza. Por meio das redes sociais, grupos de pessoas se associam com o intuito de difundir a adoção de animais abandonados e denunciar casos de maus tratos. Muitos divulgam ainda o apelo de donos cujos bichos estão desaparecidos e a localização de animais abandonados que precisam de socorro, criando uma rede de contatos sem fronteiras e ampliando as possibilidades de ajuda que cada um pode oferecer.

Para a voluntária independente, Socorro Marques, a adoção de duas cadelas não mudou apenas o destino dos animais, mas também transformou a vida da família e trouxe alegria para a casa. “Eu já pensava em adotar há bastante tempo, pois sofria muito de depressão. Depois que adotei, minha vida mudou. Quando chego em casa e vejo elas balançando o rabo, pulando de alegria… é uma motivação para você está sempre se ocupando e procurando uma saída e, assim, não viver eternamente dependendo de medicamentos. É uma saída para não viver na eterna tristeza.”

Divulgar para conscientizar
No último sábado (05), eventos realizados no Centro da cidade e em shoppings movimentaram membros de ONGs e voluntários independentes. Um Brechó promovido pelo Grupo Voluntários Independentes de Proteção animal (Vipa), em parceria com as ONGs APata, Grupo de Apoio ao Bem estar Animal (Gaba) e com o Grupo de Proteção Animal (GPA), movimentou a Praça José de Alencar, no Centro de Fortaleza. O evento fez parte de uma mobilização nacional contra maus tratos com animais.

Segundo a mentora do grupo Vipa, Rúbia Bernardes, o objetivo, além de angariar fundos para o tratamento de animais doentes, é colher um milhão de assinaturas para modificar a lei que torna crime maus tratos contra animais.

Atualmente, a Lei de Crimes Ambientais 9.605/98 prevê prisão de três meses a até um ano para quem praticar abuso ou crueldade contra qualquer animal. “Toda a manifestação Crueldade Nunca Mais pretende intensificar o cumprimento da Lei. Hoje, quem pratica crimes contra animais pode pagar fiança de R$1000 reais e sair livre da punição.”, afirma Bernardes.

As ações mobilizaram voluntários de todas as regiões da cidade e promoveram a conscientização das pessoas, estimulando o combate ao abandono. “Abandonar um animal na rua é crime. Costumamos dizer que bichos de rua, na verdade não são de rua, são bichos que estão nas ruas, porque em algum momento a maioria deles já teve um lar e um dono, que os abandonou.”, é o que diz Eliete do Vale, voluntária independente desde 2010.

Para Mariana Baraldi, líder da Upac, a conscientização das pessoas é fundamental, por isso é preciso desenvolver ações que informem e que eduquem. Só assim, segundo ela, as pessoas poderão entender que quando não tiverem mais condições de ficar com seu animal de estimação não precisam e não podem abandoná-los nas ruas, largados à própria sorte e sujeitos a todo tipo de perigo.

Um problema de todos

Abandonar um animal na rua não significa apenas atentar contra a vida do próprio bicho. As consequências desse ato colocam em risco a vida de todos os cidadãos que circulam pela cidade. Sujeitos à fome, a acidentes e, sobretudo, a doenças, esses animais significam um enorme potencial de transmissão de doenças para as pessoas. É o que afirma a coordenadora do Centro de Zoonoses de Fortaleza, Evanisa Alves.

Só em 2011, por exemplo, a entidade realizou mais de seis mil sacrifícios de bichos com calazar. Foram mais de 240 casos da doença registrados em humanos e 22 óbitos apenas na capital. Diariamente, a instituição recebe em média 80 animais com algum tipo de doença contagiosa. Todos são sacrificados.

A eutanásia desses bichos, entretanto, levanta questionamentos por parte dos grupos de proteção animal. Existe tratamento para o calazar, mas não há uma política pública específica para resolver esse problema. “Sacrificar não resolve a questão. O problema é muito maior. As pessoas precisam entender que o abandono de um cão ou de um gato não é só uma questão de falta de compaixão, já que também estamos falando de um ser vivo que é largado nas ruas como um lixo, mas principalmente é uma questão de saúde pública e que deve ser do interesse de todos”, diz Luana Souza, voluntária independente desde 2008.

Serviços:

Conselho Regional de Medicina Veterinária:

Rua Dr. José Lourenço, 3288 – Fortaleza (CE), (85) 3272.4886

Centro de Zoonoses de Fortaleza:

Rua Cel Guilherme Alencar, 8 – Messejana, Fortaleza – CE, (085) 3105-1026

União Protetora de Animais Carentes

http://www.facebook.com/ongupac

Apata Ceará:

http://www.facebook.com/apata.ceara

Grupo de Apoio ao Bem Estar Animal:

http://www.facebook.com/gabafortaleza

Grupo de Proteção Animal:

http://www.facebook.com/gpafortaleza

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2 responses to “Para além do abandono: voluntários mobilizam esforços para ajudar cães e gatos de rua em Fortaleza”

  1. Naiana Rodrigues says :

    Meninos,

    O título está mto longo, duas linhas são o ideal nesse caso.

    Capital, escreve-se com “c” maiúsculo.

    Gostei mto do lide.

    Em vez de colocar primeiro o nome científico do calazar, coloque o nome popular e, entre parênteses, o científico.

    Cuidado com parágrafos longos. O terceiro parágrafo é composto de apenas uma longa frase. Evitem isso. Usem frases mais curtas para dar mais dinamismo à leitura.

    Mta repetição da palavra animal. Sei q, ás vezes, é difícil encontrar sinônimos, mas sempre dá para não usar em excesso a mesma palavra, isso torna a leitura desinteressante.

    Atenção para ortografia, principalmente para o uso das vírgulas.

    Foto sem legenda, como vou saber quem são essas pessoas? A legenda é fundamental, sem falar nos créditos.

    “Para a voluntária independente”, acho q, nesse caso, o independente é dispensável, o voluntariado implica em uma atividade sem vínculos governamentais, está implícito no conceito.

    Sei que vcs optaram por um serviço ao final da matéria, mesmo assim, senti falta de links ao longo da matéria, para dar opção de leitura para o usuário, do contrário, fica um texto idêntico ao impresso.

    O vídeo tb não precisava vir somente ao final. Como ele trata do tema da matéria de um modo geral, poderia ter sido usado antes mesmo do segundo intertítulo, para assim, quebrar um pouco a leitura do texto.

    No mais, a matéria está plural, com muitas fontes e bem organizada em termos de informações e prioridades.
    Parabéns!

    • Anônimo says :

      Tem legenda. É só passar o mouse em cima da foto que aparece a legenda e os créditos. Todas as fotos têm. Abrçs!

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