A comida é simples, mas é feita com carinho

Andressa Souza e Andressa Bittencourt

Comer fora de casa deixou de ser aquela saidinha especial do fim de semana. Hoje, isso já faz parte da rotina dos fortalezenses. A diferença está na escolha do lugar: enquanto alguns ainda preferem almoçar em restaurantes e lanchar nos fast-foods, outros são adeptos da gastronomia de rua, tornando comum o consumo das comidas de barraquinhas e quiosques em locais públicos.

O cardápio é variado, mas a especialidade de Lena e Sílvio é o pratinho de comida típica

Lena Pereira, 36, e Sílvio Cézar, 38, trabalham há três anos na Praia de Iracema. No porta-malas de um Celta, de quinta a domingo, além dos feriados, o casal monta uma bancada onde dispõe seu cardápio. Entre 18h30 e 23h, eles vendem tortas, sanduíches e sua especialidade: o pratinho de comida típica, feito de vatapá, arroz, paçoca e linguiça.

Segundo os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego realizada em 2011 pelo Sistema Nacional de Emprego/Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (Sine/IDT), vendedores como Lena e Sílvio representam 4,5% da população ocupada de Fortaleza, cidade em que 50,1% dos trabalhadores ativos são informais.

O público-alvo de Lena e Sílvio são os turistas, mas os fortalezenses também provam das iguarias. Marcílio Lima, 27, não costuma comer em quiosques e barraquinhas, mas parou para experimentar pela primeira vez o pratinho de comida típica e aprovou.

Josielly da Silva, 25, e Débora Xavier, 24, diferentemente de Marcílio, costumam comer em locais públicos, sobretudo em pontos da Avenida da Universidade, no bairro Benfica. Nesse entorno, é possível encontrar barraquinhas de pastel, tapioca, churros e sanduíches. Embora tenham medo, as estudantes de biblioteconomia afirmam tomar cuidados ao consumir esses alimentos. “A gente escolhe um local que seja pelo menos limpinho”, diz Josielly.

A “Batatinha da Tia” é feita na hora e faz sucesso entre os estudantes da Av. da Universidade

Além do Açaí da Gorete e do “Tiozinho do Pão”, as moças são consumidoras fiéis da “Batatinha da Tia”, como é conhecida a barraquinha de Claudia Queiroz, 39. Cláudia estava desempregada quando decidiu vender batata-frita na calçada do Centro de Humanidades – Área II da Universidade Federal do Ceará (UFC). Há quase um ano nessa atividade, a mulher conta com a ajuda do filho e do marido para manter a barraca. As vendas contribuem bastante para a renda
da casa, ela afirma. “É o suficiente para manter bem direitinho uma família de quatro pessoas, com a minha ajuda e a do meu esposo”. A pesquisa do Sine indica que 61,3% dos vendedores informais ganham até um salário mínimo por mês.

A nutricionista Carolinne Reinaldo, 30, aconselha aos consumidores de frituras, como a batatinha vendida por Cláudia, a observar os cuidados com a higiene. O óleo, por exemplo, pode ser reutilizado entre três e sete dias, mas se ele soltar fumaça, estiver com aparência escura ou densa ou se o gosto do alimento parecer alterado, deve-se evitar o consumo.

A Praça da Gentilândia, também no Benfica, é outro espaço público a oferecer várias opções de comida em barraquinhas. Mas foi somente em abril de 2012 que o consumidor vegetariano teve a primeira banca dedicada exclusivamente a esse tipo de alimentação. “Foi uma necessidade mesmo”, afirma Alessandra Guerra, 28, vegetariana desde 2009 e dona da barraquinha. “É muito difícil comer sem carne aqui na Praça da Gentilândia. O que eu comia era sanduíche de queijo com catupiry e milho, mas isso era feito na chapa, que antes já tinha preparado um hambúrguer, com presunto, bacon e acabava passando todo o gosto pro meu sanduíche.”

A jovem conta que ainda não conseguiu substituir o ovo no cardápio oferecido, mas o leite utilizado no preparo dos alimentos já é de soja. Os pratos mudam a cada dia, sendo alguns deles: crepe de creme de milho, berinjela com molho de tomate e salada de algas.

Carolinne Reinaldo adverte que locais que trabalham com hortifruti, como é o caso da barraca vegetariana, devem ter especial cuidado com a limpeza e a conservação dos alimentos. “A higienização tem que ser feita com hipoclorito, que pode ser tanto a água sanitária quanto hipocloritos específicos, vendidos em supermercados ou adquiridos em postos de saúde. Sempre que o alimento passar pela higienização, deve ser bem secado e guardado coberto, nunca exposto ao ambiente”, instrui a nutricionista.

One response to “A comida é simples, mas é feita com carinho”

  1. Naiana Rodrigues says :

    Meninas,

    O título está legal, mas, eu, particularmente, não gosto dessa combinação de elementos repetitivos, no caso “e, e é”.

    Em relação ao lide, além de ter uma frase um pouco grande. Fiquei me questionando se a ligação que vcs fizeram com o fato dos fortalezenses saírem para comer fora e com as barracas de comidas de rua seria adequada. A meu ver, a barraquinha de rua é mto frequentada pq ela está, geralmente, em locais de passagem. Talvez a acessibilidade, por ficarem próximas de locais em que acontecem outras atividades, como escolas, na própria praia de iracema e beira-mar, e tb o preço acessível, tivessem sido elementos mais condizentes com a realidade para serem explorados no lide.

    “diferentemente de Marcílio”, o correto é; diferente.

    batata-frita – não tem hífen.

    ela afirma – é uma expressão que soa feio. Melhor seria: afirma Gorete.

    Depois da declaração da Gorete, vcs trazem um dado do Sine, mas que parece que foi jogado lá. Ele poderia estar conectado com a história da personagem. Por exemplo: Gorete é uma das 00 pessoas que têm apenas um salário mínimo de renda familiar, conforme….

    Outra mudança abrupta. Vcs encerram um parágrafo com o dado econômico e no seguinte vão tratar de saúde com a nutricionista. Poderia ter colocado um intertítulo para marcar essa mudança de assunto. Pq isso é importante? Do contrário, a matéria fica um emaranhado de informações sem coesão.

    Repetiram muito a palavra “barraquinha” ao longo da matéria.

    O vídeo ficou bem interessante. Gostei da cobertura de imagens com a explicação em off da nutricionista e tb da mescla de um cliente narrando um caso. Está curto e não repete informações já contidas no texto, escolha bem acertada.

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