[História] Dos abarracamentos aos aglomerados

O Censo 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Política (IBGE), revelou que existem no país hoje 6.329 aglomerados subnormais em 323 dos 5.565 municípios brasileiros. Eles concentram 6% da população brasileira, distribuídos em mais de 3 milhões de domicílios particulares. Segundo o Instituto, um aglomerado subnormal é um conjunto de no mínimo 51 unidades habitacionais, que podem ser barracos, casas ou outras moradias consideradas carentes.

Com mais de 40 mil habitantes, o bairro Pirambu figura como a sétima maior concentração de domicílios em condições irregulares. Ao todo são cerca de 11.630 lares que estão nessas condições. Dentre esses, cerca de 1.500 não possuem abastecimento de água, além de  716 domicílios da comunidade que não contam com energia elétrica e 232 não utilizam o serviço de limpeza, segundo o IBGE. Outro problema é que cerca 2.100 famílias vivem sem saneamento básico, o equivalente a 19% da população da comunidade.

História

O próprio surgimento do Pirambu aconteceu por conta de construções irregulares, feitas por sertanejos fugindo da seca de 1877 a 1879. Os retirantes começaram a construir os “abarracamentos”, com ajuda do governo, que também distribuía alimentos, em troca exigia dessa população o trabalho para a realização de obras públicas. Já nesse período, as doenças por falta de saneamento assolavam os moradores do Pirambu.

Reivindicações por soluções para, além do saneamento básico, educação e saúde foram publicadas por meio de jornais, principalmente o “Democrata” nas décadas de 1940, 1950 e, principalmente, 1960. As reivindicações ganharam ainda mais destaque, quando Padre Hélio Campos convocou os moradores do Grande Pirambu para a realização de uma passeata – a Marcha de 62 – no intuito de garantir a desapropriação das terras, que foram posteriormente obtidas com o Decreto Lei nº 1.058, de 25 de maio de 1962.

Após a Marcha de 62, o bairro contou com o apoio de políticos influentes, como o então Ministro de Viação e Obras Públicas do governo de João Goulart,  Virgilio Távora. Nesse momento, as terras passaram a pertencer à União. Em 1973 foi construída a Avenida Presidente Humberto de Alencar Castello Branco (Leste-Oeste), com o objetivo de ligar a zona industrial na Barra do Ceará à zona portuária do Mucuripe. A partir deste momento, o Pirambu recebe nova delimitação, passando a ser dividido pela avenida Leste-Oeste. Assim, o Pirambu passou a ser somente a parte litorânea, que vem aos poucos, sendo transformada em local de lazer popular.

Luana Barros

One response to “[História] Dos abarracamentos aos aglomerados”

  1. Naiana Rodrigues says :

    Oi, Luana,

    Seu título está mto vago, lembre-se que para internet e em se tratando de factual, o título deve ser objetivo e já conter informações sobre o fato. Além disso, a palavra “abarracamento” não é comum no cotidiano, o que pode ter dois efeitos: ou atrair o leitor ou afastá-lo imediatamente. É um risco.

    No lide, a sigla do IBGE está errada. E os dados sobre o Ceará já deveriam aparecer no primeiro parágrafo. O que vc destacou no lide, poderia muito bem estar no sublide.

    Gostei dos links, principalmente o que leva para o saneamento básico. Achei interessante tb a ideia do uso do mapa, mas ele ficou meio descontextualizado. Uma legenda ajudaria a dizer do que se trata e tb a fonte dele, é do próprio IBGE?

    Gostei da minuciosa pesquisa histórica do bairro, contudo, vc não fez a ligação dessa contextualização com o presente a condição do bairro. O texto acaba dizendo que o Pirambu é a parte litorânea da Leste Oeste. Vc poderia ter feito algum referência à realidade do bairro hj, que foi apresentada no início, mas que poderia ser retomada para um encerramento. Ficou um pouco solto o encerramento da matéria.

    No mais, parabéns pela pesquisa, links e texto compreensível e fluido.

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