“Bora fazer uma tattoo?”

Além dos padrões comerciais e dos modismos. A cultura underground revelada em cada corredor dos quatro andares da Galeria do Rock, no centro de Fortaleza. Um oasis pra quem curte, curiosidade pra que simpatiza

O colorido da Galeria Pedro Jorge atrai públicos de todas as tribos

“ – Sabe onde é a Galeria Pedro Jorge?

– Não, nunca nem ouvi falar.

– E a Galeria do Rock, conhece?

– Ah sim, a Galeria do Rock eu conheço!”

Segundo Rose Pereira, cabelereira e manicure cuja clientela é exclusivamente masculina, é assim que as pessoas em geral iniciam uma conversa sobre o lugar onde ela trabalha há mais de vinte anos. “É (movimentado) assim o ano todo, viu? Não é só porque é dezembro não. Às vezes eu gosto de subir lá e ficar vendo as lojas deles, é tudo muito colorido, eles são muito criativos, muito artísticos”, comenta, observando pelas paredes de vidro do seu pequeno salão o intenso entra-e-sai de jovens pelas escadas que dão acesso aos andares de cima.

O número 834 da rua Senador Pompeu, no coração do centro de Fortaleza, destaca-se por abrigar nos seus quatro andares superiores um conjunto de lojas e estúdios que fogem do convencional. No local, conhecido pelo público frequentador como Galeria do Rock e que se sobrepõe a um corredor de livrarias evangélicas, podemos encontrar os mais diversos produtos e serviços: piercings, tatuagens, camisas com estampas temáticas (relativas a bandas de rock ou de reggae, a filmes, a seriados e a ícones da cultura pop), discos raros de vinil, artigos de moda punk, moda praia… Enfim, um sem-número de variedades que atraem as mais diferentes clientelas.

O músico Pablo*, 26, circula por uma das lojas do segundo andar da galeria à procura de algo, no mínimo, inusitado: “Qualquer coisa pra maconha!”, fala ao vendedor, examinando uma vitrine de exposição de folhas de seda, a preferida por usuários da erva para enrolar os cigarros. A loja não faz apologia direta ao consumo de quaisquer tipos de drogas, somente vende as folhas próprias para a fabricação caseira – que podem ser utilizadas, inclusive, para diversos outros fins, não constituindo, portanto, produto ilegal. “Tudo que existe pra maconha nessa loja é só isso aqui, né?”, pergunta o artista insistentemente ao vendedor enquanto observa a vitrine, saindo de lá com as mãos vazias e um ar um tanto decepcionado um pouco depois.

A Galeria do Rock, apesar de conhecida por esse nome, há muito não atrai somente o público interessado nos vinis do Ramones ou nas camisas do Slipknot, que se vêem aos montes logo no primeiro andar. Pessoas de idades variadas circulam pelos corredores de paredes gastas e grafitadas, embora a faixa etária predominante esteja entre 15 e 30 anos . A trabalhadora autônoma Gilmara, 24, chega a um dos estúdios de tatuagem do terceiro andar acompanhada por uma amiga. “Já tenho duas tatuagens, quero fazer mais duas: uma de pimenta e outra com o nome do meu filho”. Ao ser questionada sobre as demais lojas da galeria, como a Bronx e a Parada do Rock – algumas das mais conhecidas pelo público ligado à chamada “cena rock” –, Gilmara é sincera: “Não sei nem o que é isso (…) Gosto de forró e pagode”.  A jovem declarou ter escolhido um estúdio da galeria para fazer a arte no corpo por acreditar que lá existem “profissionais de verdade”. Dentro de poucos minutos, já estava na parte interna do estúdio todo tematizado em cor-der-rosa, onde um tatuador de seis anos de experiência trabalha ao som dos Racionais MC’s.

Desde 1984 a Opus vem oferecendo um variedade de produtos destinados ao público roqueiro

Contradições? Nem tanto. A diversidade de tribos e gostos que habitam esse “universo paralelo” se somam para tornar o local tão atraente. O roqueiro Tony, pioneiro nas bandas de heavy metal em Fortaleza e responsável pela Opus, primeira loja temática da Galeria, fundada em 1984 – quando, segundo ele, lá só existiam escritórios de advocacia e de contabilidade –     argumenta: “O underground na música consiste nas pessoas gostarem do que é diferente, fora do mainstream, dessas coisas que tocam na FM, dessas coisas que são batidas (…) Isso é o nosso underground, é fazer por atitude.”

*Nome falso para preservar a identidade, a pedido da fonte.

Gilmara tatuando o nome do filho. Ela acredita na competência dos tatuadores da Galeria.

O Roqueiro Tony fala sobre o estilo underground em Fortaleza

Rosana Reis e Saulo Luckas

2 responses to ““Bora fazer uma tattoo?””

  1. angela maria says :

    sou louca para fazer uma tatoo,mas tenho medo e tambem nao tenho nem ideia de qual desenho fazer.

  2. lidesealgomais says :

    Rosana e Saulo, gostei mto do desenvolvimento que vcs deram para a pauta, do desenrolar. Porém, tenho algumas observações técnicas a fazer, sobretudo, em relação ao texto. Gostei do título, mas as aspas são desnecessárias. As aspas indicam ou a fala de um personagem/fonte ou recursos como figura de linguagem, ironia ou uma palavra que está sendo usada em um sentido que ñ corresponde ao seu sentido usual, denotativo. Vcs usam muitas aspas em palavras e expressões que ñ têm necessidade. Outra observação diz respeito ao texto de abertura, ele ficou meio telegráfico, com frases muito curtas e a última frase está sem sentido. Tb atentem para a pontuação, uso de vírgulas, principalmente. Jornalisticamente falando, gostei de vcs terem preservado a fonte que fala a respeito da maconha, mas em relação às demais, elas devem ser apresentadas sempre com nome, sobrenome e idade, se possível. Vcs colocaram apenas o nome, denotando uma intimidade que se contradiz com o distanciamento que tanto falamos e buscamos no jornalismo. Os vídeos estão muito bons, assim como a foto.

    Nota: 9,0

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