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Cineteatro São Luiz completa 60 anos como palco para as artes   

Por Caroline Mesquita, Januele Melo e Lia Ribeiro

01c328ea-fc31-409c-b550-d7acc9c2a094                                                                            Foto: Januele Melo

O Cineteatro São Luiz completa neste ano, em 26 de março de 2018, 60 anos desde a sua inauguração. Localizado no centro da cidade de Fortaleza, na Praça do Ferreira, o São Luiz, que sempre foi palco para as mais diversas manifestações artísticas, foi se tornando aos poucos acessível para a população e hoje representa um dos principais espaços de propagação da arte no Ceará.

Inaugurado em 1958, apesar das obras terem começado 20 anos antes, não tendo sido concluídas, entretanto, devido aos efeitos da Segunda Guerra Mundial, no lugar do antigo cine Polytheama, foi, inicialmente, um ambiente cujo acesso era limitado àqueles que possuíam algum poder econômico, pois apenas era permitido frequentá-lo trajando paletó ou vestido longo – hábitos esses que permaneceriam até a década de 70, mantendo o equipamento inacessível à grande parte da população.

cine-sao-luiz-fortal-anitgoCENTRO Aberto em 1958, o São Luiz disputava público com outros cinemas como Diogo, Fortaleza e Jangada DIVULGAÇÃO

Ainda em se tratando do início do funcionamento do São Luiz, foi, a princípio, apenas um cinema, tendo como primeira sessão o filme Anastacia, A princesa Esquecida.  “Entregando o São Luiz ao público cearense, sinto-me feliz de ter podido realizar uma aspiração que sempre tive, de dotar Fortaleza com uma casa de espetáculos à altura do seu progresso e do seu povo”, escreveu Luiz Severiano Ribeiro, criador daquele cinema, no programa distribuído ao público que chegava para a inauguração, em 26 de março de 1958. “O São Luiz está na vanguarda dos melhores cinemas e com as mais modernas instalações, som e ar-condicionado. Saudando o povo de minha terra, sentir-me-ei reconhecido se meus conterrâneos fizerem do São Luiz o seu cinema”.

Além de toda a elegância emprestada pelos trajes dos frequentadores, o espaço do São Luiz apresentava um glamour em sua arquitetura toda trabalhada, com um hall de entrada em mármore, três lustres de cristal checos em seu teto, escadarias deslumbrantes e pinturas imponentes, sendo tido como um dos mais luxuosos cinemas nacionais da época. Hoje, após a reforma por que passou depois da reinauguração, a arquitetura ainda apresenta sofisticação e luxo em sua estrutura, sendo comparada por aqueles que o visitam a um verdadeiro palácio. “Até onde eu vi, a estrutura tá lindíssima. Renovada, com um ar palaciano, sabe?! Muito agradável e de fácil acesso a todos”, descreve a estudante de ciências contábeis da Universidade Federal do Ceará, Maryana Fonseca, 20.

Após seus vários anos de funcionamento, em 1991, foi dado como patrimônio histórico e cultural pelo Governo do Estado do Ceará. Em outubro de 2007, foi arrendado à Federação do Comércio do Estado do Ceará e passou a funcionar como Cine São Luiz – Centro Cultural Sesc Luiz Severiano Ribeiro. Em 2011, o prédio foi adquirido pelo Governo do Estado do Ceará, quando foi realizada a restauração e a modernização de seus equipamentos, sendo reinaugurado em 2014 e definitivamente reaberto em 2015, reinserindo-se ao cenário cultural da cidade como um Cineteatro popular acessível e de valorização da produção artística e cultural cearense, brasileira e até mesmo internacional.

“Como eu já tinha dito, é bem acessível. As portas abertas convidam o público que, talvez intimidado pela estrutura, não entraria no espaço, mas por acabarem ouvindo ou vendo alguma apresentação, se aproxima e acaba provando um pouquinho da arte que o espaço oferece. Além disso, a programação gratuita num lugar tão bem arquitetado dá oportunidade a muita gente que não pode arcar com os custos de muitas vivências artísticas”, acrescenta Maryana Fonseca acerca da acessibilidade ao espaço hoje.

Com programações gratuitas e diversificadas, o lugar atrai os mais diversos públicos. “Eu me lembro que quando fui assistir a uma peça no São Luiz, tinha um flanelinha duas cadeiras na minha frente assistindo com seu baldinho, porque era de graça, então ele simplesmente pegou o ingresso e entrou. Achei interessante. Até para as pessoas que não tem acesso, tem acesso, porque é gratuito e não tem aquela burocracia de precisar mostrar identidade e se registrar. É só chegar lá, pegar o bilhete e entrar”, relatou o estudante de teatro da Universidade Federal do Ceará (UFC), João Victor Matins, 20.

Ao mesmo tempo em que a acessibilidade decorrente da gratuidade das apresentações ser um ponto positivo, ela também representa uma dificuldade comercial. As amostras, em sua maioria gratuitas, pouco atraem os patrocínios, tornando o ambiente dependente da porcentagem que o Governo estadual garante à cultura do estado do Ceará.

Além disso, da mesma forma que estar localizado no coração da cidade torna o Cineteatro São Luiz um espaço de aproximação e afetividade com seu público e possibilita que qualquer pessoa tenha acesso a um equipamento cultural de qualidade, afasta grupos que se sentem receosos em frequentá-lo pela insegurança de seu entorno, principalmente à noite, quando as ruas se encontram praticamente vazias, o que pode refletir na adesão do público em frequentar o espaço e na profundidade de abordagem dos tantos projetos que existem pela cidade. “Apesar de um espaço de encher os olhos e com boa estrutura, e de toda a nostalgia que a casa traz consigo, o entorno dessa bastante a desejar, o centro da cidade não é uma área urbanizada à noite, é tomado por transeuntes e pedintes e não oferece suporte de segurança, nem estacionamento necessários para atrair um público cativo, e talvez barre um projeto mais profundo de formação de plateia.

Artisticamente é uma experiência maravilhosa ter a oportunidade de apresentar no Cine Teatro São Luiz, mas comercialmente necessitaria resolver as arestas sociais da região para trabalhar melhor a adesão”, relata Jayme Menon, 31, ator e presidente do Grupo Alumiar Cenas e Cirandas.

+ Documentário sobre Cineteatro São Luiz realizado por alunos do curso de Jornalismo da UFC

+ Trailer do Documentário O Que Vi da Poltrona Vermelha

A afetividade do público com o Cineteatro São Luiz.

publico_na_frente_do_cineteatro_sao_luiz_foto_rogerio_resende-620x400                                                            Foto: Governo do Estado/Divulgação

O Cineteatro São Luiz possui muita história para ser contada. A construção iniciada em 1938 levou anos para ser concluída. Naquele período, foi levantada uma teoria de que o idealizador do projeto, Luiz Severiano Ribeiro, estava demorando a finalizar as obras do São Luiz, pois uma cartomante previu que no dia de inauguração do cineteatro a sua morte aconteceria.

Passados 20 anos, em 26 de março de 1958 o cine foi finalmente inaugurado. No entanto, o ambiente não seria de acesso para todos os públicos. Por naquela época ser considerado um dos Cineteatros mais luxuosos do Brasil, era requerido que os espectadores fossem com trajes a rigor. Durante anos, frequentadores da Praça do Ferreira se juntavam nas noites de domingo para apreciar os trajes usados por aqueles que visitavam o Cine São Luiz.

Com o avanço tecnológico proporcionando a criação de novos equipamentos como a televisão e o investimento progressista na construção de novos lugares, como espaços de cinema implementados à shopping centers, o Cineteatro São Luiz foi perdendo espaço e público, abrindo assim caminho para que novas pessoas se aproximassem. Aqueles que antes não tinham acesso ao São Luiz, passaram a ter, pois os antigos frequentadores assíduos, perderam o interesse por não ser mais um local que atendesse às suas novas necessidades.

Atualmente, o Cineteatro São Luiz atrai novos olhares, desperta encanto àqueles que o visitam pela primeira vez e traz nostalgia aos que frequentaram na infância ou na adolescência. “A primeira vez que fui ao teatro São Luiz, tinha uns 5 anos e assisti ao filme Procurando Nemo. Lembro que fiquei encantada com a estrutura dele e, embora eu tenha passado 15 anos sem ter ido lá, continuo a me surpreender com ele. Toda vez que retorno lá sinto que eu volto para a época em que minha avó começou a frequentá-lo”, relembra a estudante Gabrielle Miranda, 19.

Nas redes sociais, o São Luiz é muito bem avaliado, com comentários positivos e que exaltam suas qualidades. Pessoas comentam sobre o espaço, o ambiente e a programação, relatam ainda as lembranças do quão mágico é o lugar.

+Confira a página do facebook do Cineteatro São Luiz

+ Confira página do twitter do Cineteatro São Luiz

A estudante de pedagogia da Universidade Federal do Ceará, Priscila Brígida, 31, nos relata que a sua primeira vez no cineteatro São Luiz foi quando era criança e por isso não recorda os detalhes da visita. Ela nos conta que recentemente, voltou ao espaço, porém, em um novo contexto: agora com seus dois filhos. “Fiquei impressionada com a arquitetura do prédio, com aqueles lustres gigantes e a preservação em si do espaço, com a programação gratuita e voltada para o público infantil”. Seus filhos que só tinham ido ao cinema de shoppings se divertiram bastante, conheceram o espaço, subiram as escadarias e ficaram impressionados por ser algo diferente do que eles costumavam ver. Para Priscila aquele momento tornou-se encantador e ao mesmo tempo inédito, pois se tratavam de novas emoções e experiências para seus filhos.

Cineteatro São Luiz é um patrimônio histórico muito importante de Fortaleza, fazendo história desde sua abertura, apogeu e decadência. A reinauguração do espaço, tem trazido todo o encanto e a admiração de volta para o antigo público, transformando-se também em um ambiente inspirador para a nova geração.

Na página do facebook do Cineteatro São Luiz são encontrados diversos relatos de experiências sobre visitas ao local. São mais de 1.051 avaliações, muitos deles exaltando a admiração pelo espaço e pela arquitetura, incentivando a população a frequentar o ambiente, e conhecer a programação. Também há diversas descrições em relação a experiência de estar lá novamente.

Por muito tempo fechado e esquecido, o Cineteatro São Luiz nunca perdeu o seu encanto, reergueu_se e trouxe novos admiradores. Hoje, quem o administra e o mantêm  atualizado é a Secretaria de Turismo (Secult).

Grande parte da programação é gratuita e diversificada, agradando gostos e estilos diferentes, como cinema, teatro, dança e música.

As mudanças são feitas sem que se perca a essência do lugar, valorizando sempre a arte, cultura e a história do nosso amado Cineteatro São Luiz.

Serviço

Entre os meses de Março e Maio, o Cineteatro São Luiz recebe o projeto recém iniciado, o Giro das Artes, contando com apresentações de dança, musicais e teatrais de grupos artísticos estrangeiros. Propõe uma simbólica volta ao mundo a partir dos espetáculos. França, Espanha e Suíça são os países que compõem a primeira edição do projeto, em 2018.

“Com toda programação gratuita, a mostra oferecerá um apanhado das dimensões e possibilidades de manifestações artísticas proporcionadas pelas diversidades históricas, geográficas e sociais dos territórios onde as obras foram criadas. “

 

 

Saiba mais sobre a programação clicando aqui.

 

REFERÊNCIAS:

http://www.fortalezanobre.com.br/2010/06/cine-sao-luiz_07.html

http://www.secult.ce.gov.br/index.php/programacao/cineteatro-sao-luiz

 

 

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PL nº 3.010/2011 (Material Didático e Educação Sexual)

PL nº 3.010/2011, do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP/PB), que “acrescenta parágrafo único ao art. 79 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), veda o uso de imagens eróticas, pornográficas ou obscenas no material escolar”, em trâmite na Câmara dos Deputados.
Proposta de alteração: Pretende alterar dispositivo do ECA, para vedar a inclusão de ilustrações, imagens ou sinais de caráter erótico, pornográfico ou obsceno no material escolar destinado ao público infanto-juvenil. De acordo com o proponente, busca-se proteger crianças e adolescentes “de imagens eróticas, pornográficas e obscenas em seus materiais escolares tanto didáticos produzidos por editoras como capas de cadernos”.
Na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO), o parecer acolhido foi pela aprovação com um Substitutivo, que propõe uma classificação indicativa para as vedações:
a) Para menores de 12 anos de idade quando existirem diálogos, narrações ou cartelas gráficas
sobre sexo, em qualquer contexto;
b) Para menores de 14 anos de idade quando existirem imagens, diálogos e contextos eróticos,
sensuais ou sexualmente estimulantes; e
c) Para menores de 18 anos de idade quando a imagem contiver sexo com incesto,
sexo grupal, fetiches violentos e pornografia em geral.

*

*Texto integral da Abrinq

Pornografia: Os desdobramentos do consumo de conteúdo adulto na educação sexual dos jovens

 Em um cenário de ameaça à educação sexual nas escolas e de falta de esclarecimento familiar sobre sexualidade, a pornografia se potencializa como a principal referência sobre o tema para os jovens.

Abaixo, disponibilizamos o áudio da matéria:

No último dia 27, a Fundação Abrinq lançou a quinta edição do Caderno Legislativo da Criança e do Adolescente, que avalia projetos na Câmara e no Senado que envolvem os direitos de crianças e adolescentes. A fundação usou para a avaliação as 25 proposições legislativas consideradas prioritárias para a proteção dos direitos da população menor de 18 anos, com base nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Entre as propostas consideradas negativas para a instituição, existe o PL 3.010, de 2011, do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP/PB), como um acréscimo ao art. 79 da Lei nº 8.069/1990, que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e “veda o uso de imagens eróticas, pornográficas ou obscenas no material escolar”. O projeto ainda propõe uma classificação indicativa para as vedações:

“Para menores de 12 anos de idade quando existirem diálogos, narrações ou cartelas gráficas sobre sexo, em qualquer contexto; para menores de 14 anos de idade quando existirem imagens, diálogos e contextos eróticos, sensuais ou sexualmente estimulantes; e para menores de 18 anos de idade quando a imagem contiver sexo com incesto, sexo grupal, fetiches violentos e pornografia em geral.”

+ Texto integral da Abrinq

Porque a Abrinq reprova essa medida

  1. Ao se privar de tratar dos temas citados no último grupo etário citado acima, as escolas não terão como fazer um trabalho preventivo sobre o estupro coletivo e o abuso sexual na família e na internet.
  2. Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) já protege esse público da exposição a imagens com conteúdo relacionado ao sexo que fujam ao seu entendimento, como o que acontece em revistas eróticas.
  3. No texto da medida, não fica claro quem avaliaria a adequação dos materiais didáticos sobre o assunto, abrindo margem para que “qualquer conteúdo que aborde a sexualidade humana seja proibido de ser disseminado e/ou ensinado nas escolas”.
  4. Segundo a Fundação, a proposta de lei impacta negativamente os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 3 e 5, relacionados à promoção da saúde e do bem-estar e à igualdade de gênero.
  5. Se for aprovada, descumprirá a Meta nº 3.7, que assegura “o acesso universal aos serviços de saúde sexual e reprodutiva, incluindo o planejamento familiar, informação e educação, bem como a integração da saúde reprodutiva em estratégias e programas nacionais”.
  6. Segundo o Ministério da Educação (MEC), as crianças constroem sua sexualidade a partir dos grupos sociais em que estão inseridas, como família e escola, e, principalmente, com base no que é exposto na mídia que, muitas vezes, reproduz discursos (sejam verbais ou não verbais) danosos ao desenvolvimento da sexualidade.

 

 

 

 

 

 

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A especialista em sexualidade humana Débora Britto comenta que o projeto de lei faz com que a educação sexual de crianças e adolescentes seja negligenciada: “de repente eu tenho uma criança que vivenciou uma situação sexual vil e aí eu não vou abordar aquele assunto com ela porque teoricamente ela não tá preparada? a vida infelizmente foi cruel com ela e colocou à sua disposição aquele tipo de vivência. […] Eu trabalho num serviço de violência sexual que a gente interrompe a gestação de meninas de doze anos que sofreram violência sexual e o mesmo serviço faz pré-natal de meninas que engravidaram de seus companheiros também aos doze anos, o que é considerado estupro de vulnerável”.

Para ela, o objetivo principal de abordar a sexualidade nas escolas é educar para a tomada de decisão, que vai desde a percepção sobre si mesmo até o uso de preservativos e a escolha da parceria, por exemplo. A sexóloga ainda cita a pesquisa How Young is Too Young (Quão Jovem é Tão Jovem, em tradução literal), da Organização Mundial da Saúde (OMS):

Enquanto o Congresso discute o cerceamento de métodos didáticos de conhecer e de falar sobre sexualidade, crianças e adolescentes a descobrem por meios menos educativos e mais desconectados da realidade, como a pornografia.

O mercado pornográfico

No Brasil, conforme a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios Contínua (Pnad) divulgada em novembro de 2017, o acesso à internet alcança 63,3% dos lares do país. Outro dado da pesquisa mostra que em 92,3% dos lares brasileiros pelo menos um morador possuía celular em 2016. Com o acesso à internet mais facilitado, o consumo de informações é largamente ampliado em sites de buscas, redes sociais, portais de notícias, de compras online e, entre os mais procurados, sites de conteúdo adulto. O Pornhub, por exemplo, figura na posição 34 da lista dos sites mais acessados do mundo, segundo dados publicados trimestralmente pela Amazon.

O Pornhub publica relatórios anuais de acesso, como o montante de vídeos enviados à plataforma ou a preferência de conteúdo por faixa etária. No último ano foram enviados quatro milhões de vídeos à plataforma, entre grandes produtoras de filmes pornográficos e amadores. Abaixo, o número de visitas ao site Pornhub nos últimos cinco anos:

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Dados anuais do Pornhub, em bilhões de visitas.

A plataforma Pornhub foi criada em 2007, e no ano passado montou um infográfico celebrando os 10 anos do site. Conforme o material, já em 2008, ficou na lista dos sites mais visitados e dois anos depois possuía mais de 100 milhões de vídeos disponíveis. Em 2011, o vídeo íntimo de Kim Kardashian alocado no site gerou grande repercussão.

Ainda segundo o especial, atualmente 75% do número de acessos vêm de smartphones, e entre os vídeos mais enviados no mundo, destacam-se as categorias: amador, gay, sexo oral, hardcore (ou intenso, em  tradução livre) e jovens. O portal tem mais de 22 milhões de usuários cadastrados e 75 milhões de visitantes diários.

Em análise dos dados da plataforma o Pornhub identifica o perfil de seus usuários que, em sua maioria, é composta por jovens de 18 a 24 anos (31%), sendo a presença do público com mais de 65 anos em torno de 4% do total de usuários. Conforme o site, em 2015, o Brasil chegou a ser o oitavo país que mais utilizava a plataforma e destacou que o público feminino brasileiro corresponde a 35% dos visitantes atuais.

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Lucros

A indústria pornográfica movimentou em 2006 cerca de US$ 90 bilhões, com a reprodução em DVDs, em 2012, com a oferta de material gratuito na internet, esse número foi reduzido para US$ 10 bilhões. Existem, atualmente, cerca de 25 milhões de sites relacionados a pornografia, o que representa 12% dos sites da internet e 30% do tráfego online. Nessa nova realidade, o setor busca alternativa de lucros em conteúdos exclusivos, premium (sem anúncios), vídeos em alta definição e live cams que oferecem, por exemplo, o serviço de conversar com atores específicos. Em contrapartida à crise do setor, o serviço de live cam no ano de 2016 faturou cerca de 10 bilhões de reais, em que mulheres e homens fazem uma performance online.

A nova educadora sexual

A disponibilidade de conteúdo adulto na internet instiga a curiosidade de pessoas de todos os públicos. Em pesquisa realizada na Universidade de Nebraska, nos Estados Unidos, é observado que a idade média da primeira exposição à pornografia é de 13 anos, com cinco anos sendo a idade mais precoce e 26 a mais tardia. O estudo também revelou que quanto mais cedo um homem começa a consumir pornografia, mais chances tem de apresentar comportamento mais dominante em relação ao sexo oposto.

Em termos de reprodução de comportamento, é importante frisar que o sexo é um assunto híbrido em áreas de conhecimento, não restrita apenas ao campo da biologia. A sexóloga norte-americana Yana Tallon-Hicks – que trabalha ministrando workshops para adolescentes sobre sexualidade – em palestra para o TedxVienna, fala sobre como o tema é apresentado para esse público: “A primeira coisa que gosto de lhes perguntar é ‘o que vocês têm aprendido nas suas aulas de educação sexual?’. Essa pergunta é usualmente seguida por um longo silêncio […] algumas vezes, eles me falam ‘sobre DST’s, penetração de pênis e vagina e gravidez’, mas a maioria deles diz ‘nada’”. E piora: “A próxima coisa que eu gosto de lhes perguntar é ‘onde você aprendeu sobre o prazer sexual?’ e eles sempre me dão a mesma resposta: ‘no pornô’”. Segundo Tallon-Hicks, enquanto todo o aparelhamento social falha em ensiná-los sobre o real prazer sexual, a pornografia, que está cada vez mais acessível para os jovens por causa dos smartphones, se potencializa como educadora sexual.

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A ausência do diálogo acerca da sexualidade entre pais e filhos e na escola favorece a desinformação e a inexperiência de adolescentes para lidar com o tema. Fonte: Google.

Muitas vezes, os vídeos disponibilizados em sites de conteúdo adulto fazem referência ao incesto, ao estupro e à pedofilia, alimentando e naturalizando esse tipos de crime entre os seus consumidores. Além disso, práticas sexuais exóticas como gangbang – em que uma pessoa (geralmente do sexo feminino) faz sexo em posições submissas com várias outras, simultâneamente  – ganham cada vez mais espaço nessas plataformas, com performances cada vez mais elaboradas. Em artigo para o site ThinkOlga, Gabriela Loureiro explica esse fenômeno: “Como é um mercado, a competição impera na indústria pornô, e o conteúdo ‘evolui’ para práticas cada vez mais ‘ousadas’. O gang bang de três caras com uma mulher de repente vira o ‘extreme gang bang’, com 10, 20, 150 caras. […] Surgem canais especializados em surras e outras práticas cada vez mais extremas, ‘extreme isso’, ‘extreme aquilo’. E assim por diante, com atos cada vez mais violentos e mais destruidores de corpos femininos”.

 

 

 

 

 

 

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Também, em grande parte dos vídeos disponibilizados em sites de conteúdo adulto, no caso de uma relação heterossexual, homens são apresentados como figuras imponentes, confiantes e que dão ordens durante todo o ato (muitas vezes, com violência). Já as mulheres estão quase sempre submissas aos desejos masculinos, resumidas a objetos do prazer masculino. Ou seja: eles mandam e elas obedecem.

Débora Britto comenta sobre a tentativa de reprodução de determinadas práticas de vídeos pornográficos no dia-a-dia: “Se eu internalizo isso como corriqueiro ou adequado, nada mais óbvio de que eu vá procurar viver esse tipo de experiência no meu cotidiano, e aí eu encontro o outro, que nem sempre vai estar disponível para esse tipo de prática sexual”. Para ela, as tentativas de reprodução de certas práticas comuns da pornografia na realidade, podem provocar estranhamento e levar os casais à insatisfação.

Ou seja, crianças e adolescentes passam a ter referências de sexualidade a partir do que aprendem nesses vídeos quando não têm instrução das escolas e dos pais. “Hoje, muitas vezes, as famílias não dão conta de todas as demandas que uma criança tem e acabam ficando lacunas, e aí essas lacunas precisam ser sanadas nas escolas. Se não são sanadas por educadores que estejam treinados e capacitados para lidar com elas, e uma dessas lacunas é a sexualidade, então onde serão? Essa informação virá dos amigos, dos colegas, que estão, muitas vezes, no mesmo grau de maturação biológica e psicológica que eles, então não vão ter uma capacidade de julgamento e compreensão. Ou, então, vão conseguir através da internet, mas eles não vão ficar sem ter acesso a essa informação”.

Pensando nisso, Erika Lust e Pablo Dobner criaram a plataforma “The Porn Conversation” (A Conversa Pornô, em tradução literal) que ajuda pais, professores e educadores a debaterem com os filhos sobre sexo e pornografia. Segundo o próprio site, “A pornografia pode confundir os adolescentes sobre como o sexo se relaciona com a sensualidade e os relacionamentos, muitas vezes separando o sexo das emoções. Isso também dá aos adolescentes expectativas irreais sobre como olhar e agir. Precisamos que você mostre a eles que o sexo é muito mais complexo do que o que eles veem online”. Lá são disponibilizados guias, cartilhas, palestras e vídeos sobre educação sexual, como o que se mostra a seguir:

 

 

 

Apesar de todas as problemáticas que o pornô apresenta, Débora Leitte lembra que ele também pode ter um bom uso: “A gente usa muito material de conteúdo adulto na terapia sexual, quando eu preciso trabalhar a estimulação sexual. [..] existem mulheres que também têm um desejo ou uma excitação sexual diminuída, e elas buscam se excitar mais facilmente, às vezes é uma possibilidade também. E aí você vai escolher dentro do espectro enorme de material de conteúdo próprio para adultos aquilo que se aplica a cada situação. Então é sempre analisar o contexto do conteúdo e do usuário”.

Nessa perspectiva, Cindy Gallop, sexóloga britânica, conta a realidade de que “a indústria pornográfica é dirigida por homens, fundada por homens, administrada por homens e direcionada para homens”, criou o site pornográfico “Make Love, Not Porn” (Faça Amor, Não Pornô, em tradução literal). Para ele, casais enviam vídeos de suas relações sexuais, mostrando o sexo de forma naturalizada. Os vídeos produzidos pela empresa tem um código de ética e de remuneração justo, além de contratar também mulheres para a produção dos materiais. No vídeo abaixo, Cindy explica melhor a plataforma:

 

 

Cindy Gallop é criadora do site “Make love, not porn”, que disponibiliza conteúdo pornô, como a própria costuma dizer, “do mundo real”.

O Diálogo e a Educação Sexual

O debate acerca do sexo, em geral, é carregada de tabus, constrangimentos e polêmicas, o que faz com que o assunto seja pouco analisado e levando à desinformação, que pode gerar relações traumáticas. É importante que sejam analisadas as variáveis relacionadas à sexualidade para que as pessoas tomem decisões mais positivas nesse âmbito.

A sexologia apresenta-se como uma área do conhecimento de caráter multidisciplinar que envolve diversos saberes como antropologia e psicologia, estudando o comportamento sexual humano. Para isso, avalia questões culturais para entender o que é considerado “normal” para uma sociedade, por exemplo, bem como as transformações das construções sociais conforme o período histórico.

A pornografia, por exemplo, é alvo de estudo da sexologia, fazendo uma diferenciação de que tipo de conteúdo é considerado pornográfico, quem e em que condições o está produzindo, assim como, a recepção do público consumidor. Conforme a sexóloga Débora Britto, para classificar pornografia como algo positivo ou negativo, portanto, é preciso estabelecer um referencial em que diferentes variáveis devem ser analisadas.

Sobre educação sexual, a especialista pontua que, os responsáveis pela formação de um jovem, assim como os profissionais de ensino, devem direcionar o aconselhamento para além da prevenção de DSTs e dos métodos anticoncepcionais. A reflexão precisa entender a importância da escolha da parceria e da percepção sobre outro para que seja uma boa experiência para ambos.

GIRO DAS ARTES

Neste ano, o Giro das Artes passa por Fortaleza entre os meses de março e maio, toda a programação sendo exibida no Cineteatro São Luiz, com entrada gratuita para todos os espetáculos.

O Giro das Artes é um projeto que teve início ainda neste ano, trazendo à cada cidade um pedacinho do mundo em forma de arte, junto à espetáculos de música, dança e teatro. “Propõe uma simbólica volta ao mundo a partir de espetáculos de música, teatro e dança.”

O projeto conta com um grupo de artistas bastante diversificado, de lugares como: Suíça, França e Espanha. Workshops e palestras também são ministradas pelos diretores e pelos próprios artistas que protagonizam as apresentações.

Algumas obras que que foram apresentadas durante o mês de março

02 de Março

SetUp trabalho que realiza com uma fusão particular de estilos, alimentados pelo desafio de ser ao mesmo tempo criadores e intérpretes. Este show representa um breve passeio pela história do grupo ao propor a apresentação de músicas de alguns dos artistas que influenciaram e inspiraram suas carreiras como Michael Jackson, Sting, John Coltrane ou James Brown. Preocupados em manter a identidade do som que produzem, combinam as sonoridades de suas influências com suas próprias composições clássicas porém cheias de espontaneidade.

SetUp

11 e 12 de Março

Hamlet é um trabalho do diretor suíço Boris Nikitin, um dos principais nomes do teatro contemporâneo do país. No espetáculo se utiliza da obra de Shakespeare como temática para uma reflexão sobre identidade, individualidade, ilusão e realidade. Em um misto de performance de documentário experimental e teatro-musical queer, o intérprete e eletro-músico Julian Meding assume o papel de um Hamlet contemporâneo que se rebela contra a realidade.

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A próxima atração será no dia 04 de maio às 18h, onde se apresentará a companhia de dança Black Belt, de Kubilai Khan investigations (França) e Tremor and More, de Herman Diephuis (França).

O projeto Giro das Artes tem como realizadores a Quitanda das Artes, o Instituto BR Arte e o Cineteatro São Luiz. Patrocínio: Enel. Apoio cultural: Instituto Francês, Fundação suíça para a cultura Pro Helvetia, Embaixada da França no Brasil e Rede de Festivais – MIT SP, MID e Viva Dança. Produção executiva: Marco Zero. Produção: Cinco Elementos Produções. Apoio institucional: Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, através da Lei Nº 13.811, de 16 de agosto de 2006.

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AFRESCOS DE CAVERNA E MIÇANGAS

Embora exista um distanciamento, arte e o artesanato fluem um através do outro.

Os primeiros passos da humanidade são contados através de relíquias encontradas em cavernas onde um dia viveram nossos ancestrais. São objetos marcados pela passagem do tempo, escassos e de difícil identificação. Esse registro histórico é composto por afrescos e pequenos objetos como vasos e instrumentos domésticos e de caça. Além do valor histórico, hoje essas peças são valorizadas como trabalhos artístico daquele período.

Sendo o trabalho artesanal de mais de 8000 anos atrás – uma panela ou vaso de barro do período neolítico, por exemplo – considerado arte. Por que o artesanato que é produzido hoje em todo mundo é considerado menor, inferior e diferente de arte?

Da panela até miçanga

Primeiro é preciso entender a história do artesanato. Depois do neolítico, no qual aprendemos a trabalhar diversos materiais, o artesanato se multiplicou em variedade e uso por meio da capacidade criativa humana. O trabalho manual do artesão com matérias primas foi uma das grandes forças de impulso do desenvolvimento humano. Quando o produto artesanal passa a ter um valor simbólico sentimental surge a arte como definimos hoje.

Com o advento da revolução industrial e a divisão específica do trabalho o artesanato passa por grande desvalorização.

Na manufatura e no artesanato, o trabalhador utiliza a ferramenta; na fábrica, ele é um servo da máquina.”

Esta foi a critica de Marx no primeiro volume do O Capital. Desde então o artesanato passou a ser reconhecido como produto ou manifesto da cultura popular, que por si só já é considerada inferior pelas elites. Dentro do espectro da cultura popular o artesanato toma diversas formas, são pequenas esculturas decorativas, joias feitas com barbante e pedras comuns ou miçangas, utensílios domésticos e muitos outros.

Arte não se aprende

Desde o século XI, o profissional artesão passou a realizar suas atividades em pequenas oficinas. Dentro destes espaços o mestre artesão, aquele que dominava a matéria e as técnicas necessárias para criação do artesanato, abrigava seus aprendizes, que em troca da mão de obra recebiam moradia, alimentação e conhecimento.

Na era da informação, o ensino de técnicas artesanais é difundido pela rede mundial de computadores. Apenas no YouTube, plataforma gratuita de vídeos, existem milhares de uploads onde pessoas mostram como construir peças. O principal objetivo de quem procura esses vídeos não é só aprender, mas também a empreender ou gerar um lucro complementar através das próprias mãos.

Vídeo do canal Show de Artesanato

Esses seriam os pontos a diferenciar a produção artística do artesanato. O trabalho artesanal exige que certos moldes sejam atingidos, como um padrão de qualidade: um vaso tem que ser côncavo e ter uma abertura para poder acomodar líquidos ou sólidos, ou então não será um vaso.

O produto final se torna mais importante que o seu valor simbólico, na arte, que é livre de qualquer forma ou modelo pré estabelecido, a obra é tudo. O trabalho artesanal tendo valor utilitário se transforma em um produto de uso direto, sendo muitas e repetidas vezes, já que o artesão pode replicar a mesma peça, comercializado como um utensílio. Isso gera a ideia errônea de que todo artesanato é apenas uma mercadoria sem valor artístico.

Onde se mesclam

A primeira exigência para ser um artista ou produzir arte e a noção das técnicas de trabalho e transformação da matéria-prima. O artista não pode criar um quadro sem o domínio básico das tintas e pigmentos, nem uma escultura sem o domínio da massa, pedra ou madeira. Aquele que aspira dar luz a uma peça ou uma performance de arte, deve antes instruir-se e dominar as técnicas, geralmente se aproximando ou estudando um artista mais velho da mesma área.

É ai que surge o artista, por meio das técnicas artesanais, assim todo artista é um artesão. O contrário também é verdade. Mesmo que o artesão repita até exaustão a mesma obra, jamais será capaz de recriar o primeiro exemplar. As mãos humanas não são capazes de copiar como as máquinas, além disso pode partir do próprio artesão o desejo de tornar cada trabalho único por meio de uma simples singularidade em cada obra.

O artesão, assim como o artista, é livre para recriar ou seguir a própria intuição, também é livre para criar algo dentro dos moldes, mas que também possui um valor simbólico e sentimental. O artesão pode, por exemplo, querer homenagear sua terra natal ou uma personalidade da mídia que admira, através disso que nasce uma identificação emocional que se estende do artesão ao cliente ou a pessoa que vai receber a obra.

Ademais, assim como existe um mercado das artes, há também um mercado do artesanato. Desde de 2012, segundo o IBGE, são mais de 8,5 milhões de brasileiros trabalhando e gerando lucro através da arte artesanal. Esses milhares de brasileiros fazem circular todos os anos 50 bilhões de reais, isso só em negócios formais ou por artesãos certificados. Afinal é impossível contabilizar aqueles os ambulantes e aqueles que trabalham na informalidade, ou os que simplesmente tem por hobby a criação e venda de artesanato.

Links e referências:

Por Suyane Lima, Natielly Silva e Eduardo Silva.

 

MÃOS QUE TRANSFORMAM

Arte, microempreendedorismo e jovens brasileiras. O artesanato como uma alternativa rentável.

Que o Brasil tem uma cultura riquíssima, isso todos nós sabemos. Mas o Ceará tem um cantinho especial nesse cenário, com nossas artes marcantes e que enchem os olhos de gente do mundo todo. E para mostrar o talento do cearense nas artes, vamos revelar como nossas personagens fazem das mãos, uma extensão para seu trabalho e trazem o dom da transformação com elas. E seria com essa extremidade do corpo, que eles e tantos outros artistas, fazem de um hobby à ferramenta adicional para sustentarem suas famílias.

Estatísticas que desagradam

Nos últimos anos com um crescente número de desempregados no Brasil, o ramo dos micro e pequenos negócios teve uma relevante expansão. O brasileiro que se viu no fim do mês acumulando contas e sem emprego para pagá-las, resolveu arriscar-se no microempreendedorismo, ou até mesmo como em muitos casos, na informalidade. Sem contar, que é progressivo o número de pessoas que estão deixando as carteiras assinadas por escolha própria para abrir seu próprio negócio. Ou como em algumas circunstâncias, precisa complementar a renda, com ganhos extras.

O ramo das artes no Brasil, apesar de tamanhas riquezas, ainda não possui um grande reconhecimento. Mas ainda assim, é nesse setor, que muitos artistas encontram saída para sustentarem suas famílias. Seja no artesanato, nas artes plásticas, ou nas ilustrações, o brasileiro encontra refúgio para o seguinte dito popular: “Unir o útil, ao agradável”. Usar de sua criatividade artística como um meio de ganhar a vida, fazendo algo que gosta e traz prazer. Mas nem só de arte viverá o homem; muitos dos pequenos artistas nacionais, possuem um emprego formal distinto da sua arte. Devido às dificuldades enfrentadas e escassas possibilidades de investimentos financeiros, esses microempreendedores artísticos não encontram grandes incentivos, e muitos são os empecilhos para construir uma carreira firme e de ganhos significativos no país.

Consequente de uma crise financeira nos últimos anos no Brasil, o trabalho informal vem ganhando espaço no mercado de trabalho nacional, e alavancando à criação de vagas de empregos. Segundo o IBGE, somente no trimestre Junho, Julho, Agosto de 2017, o número de brasileiros desempregados atingiu o percentual de 12,6%, uma redução de 0,7 ponto percentual em relação ao trimestre anterior (13,3%). E quando trazemos essa realidade para 2018, começamos o ano com um aumento de 0,4% em comparação ao último trimestre de 2017.

Microempreendedor Individual

A categoria de MEI, sigla para Microempreendedor Individual, foi criada em 2009, fruto da lei geral das micro e pequenas empresas. À criação da categoria foi pensada como uma maneira para tentar diminuir o número de trabalhadores que atuavam na informalidade. Nesse sentido, a formalização como MEI oferece algumas vantagens: CNPJ próprio, a conta bancária de pessoa jurídica, possibilidade de emissão de nota fiscal, tributação pelo simples, contratação de até um empregado recebendo um salário mínimo ou o piso de sua categoria.

Para se caracterizar como um microempreendedor individual, alguns quesitos precisam ser preenchidos, como: não poder faturar mais de sessenta mil reais por ano, não deve ser sócio de uma outra empresa, e precisa atuar dentro de alguma atividade específica beneficiada pela lei, afinal nem todo pequeno negócio, pode ser habilitado como MEI.

 

  • Se você quiser saber quais profissionais se qualificam como MEI, clique aqui.

 

Apresentando nossa realidade

Atualmente, as micro e pequenas empresas são as maiores geradoras de emprego e renda de Fortaleza, principalmente com o aumento do desemprego e a saída de grandes marcas do estado. E em meio a essa crise que assola o país, inúmeros trabalhadores perderam seu emprego no corte de custos das organizações, assim se refugiando nas empresas de menor porte e distribuindo a renda de Fortaleza.

Nesse contexto, entrevistamos três mulheres que trabalham com a sua arte de diferentes maneiras e por finalidades diversas. Elas têm seus motivos para criar e vender os seus trabalhos. Mas o que todas elas compartilham é o amor pela sua  forma de arte.

Colaboradoras

Magna Souza, 28, publicitária.

Apaixonada por trabalhos manuais desde criança, Magna Souza, abriu a cerca de um ano seu próprio negócio no mundo das artes. No momento, ela produz camisetas com estampas criadas por ela mesma, convites digitais para festas e comemorações e ainda faz artesanato com crochê! O desejo de Magna, de criar e reinventar coisas fez nascer a Azuos Print e a Novelo Criativo. Agora, sua meta é fazer as duas cresceram juntas.

  • Se quiser conferir as camisetas da Magna, clique aqui para acessar a loja online. 
  • Se quiser conferir o artesanato da Magna, clique aqui para acessar a loja online. 
  • Para acessar a entrevista na íntegra, clique aqui.

Sheryda Lopes, 31, jornalista.

Tendo inclinações artísticas desde a infância, Sheryda Lopes, resolveu resgatar o hobby através dos estudos dentro das salas de aula do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – IFCE. A jovem trabalha principalmente com a venda de desenhos e pinturas em aquarela, negociando suas obras por meio de suas redes sociais e também em feiras e eventos artesanais. Recentemente sua paixão pelas artes transbordou os papéis e foi para as ruas. No projeto Cartas aos 31, Sheryda, faz intervenções urbanas compartilhando suas vivências em localidades de fortaleza.

Mini-Podcast com Katerine Neblina

Gravação do Podcast

Links e referências:

Por Suyane Lima, Natielly Silva e Eduardo Silva.

Três sebos para conhecer (e virar cliente) no Benfica

O bairro, conhecido pela riqueza cultural, é também morada de muitos sebos importantes.

Por Dominick Maia, Francisco Félix e Lais Oliveira

Em Fortaleza, os sebos estão concentrados no centro da cidade e no bairro Benfica, conhecido pela presença universitária. Mas além de livros usados, é possível encontrar muitos outros artigos nesses estabelecimentos. Gibisdiscos de vinilCDsDVDs antigos e outras raridades também fazem parte do acervo desses lugares. Dessa forma, além de integrarem a identidade cultural do bairro do Benfica, os sebos são a opção da maioria dos universitários que procuram livros a um preço mais acessível. Conheça a história de três sebos que estão no Benfica há anos e já fazem parte do cotidiano das pessoas que frequentam o bairro.

SEBO DO PAULO ROBERTO

Entre militância e livros, o sebo de Paulo Roberto

Depois de passar por várias profissões, foi na venda de livros usados que Paulo Roberto de Castro Almeida, 59 anos, descobriu a felicidade. O ano era 2012, quando Paulo Roberto decidiu colocar seu sebo na esquina da Avenida da Universidade com a Treze de Maio. Inicialmente, o livreiro veio para o Benfica a fim de fazer militância política através dos seus aforismos, e depois veio a ideia de ter o próprio negócio: “Vou vender livro, aí eu uno o útil ao agradável. Eu faço a minha militância política […] e ao mesmo tempo ganho um dinheirinho”, ele conta. No começo haviam apenas 20 livros, aos poucos o sebo cresceu e atualmente o acervo conta com mais de 10.000 exemplares.

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