Do mar para a mesa: Mercado de Peixes serve no local as delícias do Mucuripe

Além de vender pescados, o lugar oferece serviço para preparar na hora a comida comprada

Por Fernando Girão e Hugo Cardim

O colorido das embarcações, a brisa leve e o som relaxante das ondas convidam a um agradável encontro com o mar. Não é de hoje que o Mercado de Peixes tem atraído a atenção de turistas e fortalezenses às delícias do mar do Mucuripe. De colônia de pescadores a importante ponto turístico da cidade, o Mercado se destaca como uma boa opção de lazer, além de encantar a todos combinando sons, aromas, cores e sabores.

O passeio pela orla da Avenida Beira-mar finda antes do cruzamento com a Avenida Abolição. É ali, no cantinho do calçadão, entre o mar e enormes edifícios, que uma estreita faixa de areia forma um cenário perfeito para curtir um bom papo com os amigos e petiscar deliciosos frutos do mar. Quem aprova o passeio é a sul-mato-grossense Ivonete Paim. Visitando o Mercado pela primeira vez, ela aponta que, além da brisa e da paisagem, o grande diferencial do lugar é a possibilidade de desfrutar, ali mesmo, dos produtos do Mercado. Isso porque logo atrás dos 32 boxes de vendas existem quiosques que funcionam como bares e oferecem como serviço o preparo do que é vendido no Mercado. “Nunca tinha visto um lugar onde você compra o pescado fresquinho e manda fritar na hora. É bem pitoresco, gostei!”, comenta.

O ambiente também é muito procurado para se assistir ao por do sol. (foto: Hugo Cardim)

O ambiente também é muito procurado para se assistir ao por do sol (foto: Hugo Cardim)

O movimento de pessoas no Mercado de Peixes do Mucuripe é constante. Segundo Silvana da Costa, proprietária de um boxe há 8 anos, “o fluxo de clientes é muito relativo, mas nos feriados sempre aparecem mais fregueses”. Em seu boxe, o público maior é local, mas na alta estação ela vende a muitos turistas. O movimento à noite também aumenta, devido às pessoas que vão comer no próprio Mercado.

Além do campeão de vendas, o camarão, Silvana também vende lagosta, sururu, carne de caranguejo e polvo. (Foto: Hugo Cardim)

Além do campeão de vendas, o camarão, Silvana também vende lagosta, sururu, carne de caranguejo e polvo (foto: Hugo Cardim)

Com a experiência de quem viu desde criança o pai trabalhar no local, Silvana lembra: “No começo, os feirantes vendiam as mercadorias no chão. Com o tempo, mesas improvisadas de madeira foram sendo usadas, até que a Prefeitura organizou o lugar e construiu os boxes. Agora, vamos ganhar uma nova reforma, pra melhorar ainda mais”, se referindo ao projeto de requalificação da beira-mar.

Arnaldo Pereira Barbosa, 55, é proprietário de um dos quiosques que oferecem o preparo de peixes e frutos do mar. Ele conta que esse tipo de serviço não é novidade no local. “A minha mãe, Maria de Lourdes Pereira, tinha um bar nesse mesmo lugar há mais de 30 anos. Foi ela quem começou com esse serviço de preparar o pescado vendido no mercado”, explica.

O Mercado dispõe de quatro quiosques que funcionam como bares. (foto: Hugo Cardim)

O Mercado dispõe de quatro quiosques que funcionam como bares (foto: Hugo Cardim)

O preço de peixes e frutos do mar abaixo do praticado em supermercados ou vendido em grandes restaurantes é, também, um dos principais atrativos do lugar. O quilo do camarão cinza (médio) varia de R$ 15 a 17, com casca e cabeça. O mesmo valor tem o quilo do peixe pargo, por exemplo. Já o valor do serviço de preparo do pescado também é bastante em conta, em média R$ 6 por quilo de pescado.

Quem atesta a qualidade dos preços é a relações públicas Magda Cruciol. Vinda do interior de São Paulo, ela mora com o marido em Fortaleza há três anos e gosta muito do Mercado de Peixes. Eles passaram a frequentar o local depois que um amigo turista descobriu o lugar. Desde então, já vieram mais de cinco vezes. “Aqui se come bem, é barato e perto da nossa casa. E ainda tem esse por do sol maravilhoso”, afirma. O casal mostra como fazer para comprar o pescado do Mercado para consumir na hora:

Saiba mais: Requalificação começa pelo Mercado de Peixes

Caminhar sobre as águas desse momento

Ponte dos Ingleses: um porto, um abraço do braço do mar, um encontro com o horizonte, paisagem firme e flutuante.

Por Naiana Gomes e Patrício de Alencar

Uma reta é o menor caminho entre dois pontos. A matemática afirma, a vida confirma: seguimos construindo pontes, buscando as melhores distâncias (firmes) entre terras firmes. Há pontes, entretanto, capazes de superar os propósitos para as quais são construídas.

A Ponte dos Ingleses, localizada na Praia de Iracema, orla de Fortaleza, na verdade não é uma ponte. Nasceu para ser um porto, tendo sua construção iniciada em 1921, pela empresa inglesa Norton Griffts CO, e, até 1940, cumpriu a função simbólica de ponte entre navios, pessoas e produtos vindos de além-mar, e seus destinos na capital cearense. Desde então, a estrutura de madeira em formato de extenso píer tornou-se ambiente de lazer e descanso, uma ilha flutuante, entre a cidade e o mar.

O ponto de encontro entre Fortaleza, o mar e o mundo

Atravessar a ponte é se deparar, a cada passo, com um novo mundo, tantas são as cidades; os países; as culturas representadas pelas origens dos frequentadores e visitantes. Para Tuto Cesar, 70, que mora nos arredores de Veneza e há seis anos vem regularmente ao Ceará, o local é uma ponte para a beleza, além de possuir um clima agradável: “aqui está uma temperatura muy buena”, comenta. Debruçando-se no parapeito, o italiano logo volta a concentrar-se na atividade em que o encontramos: observar o horizonte.

Vista da Ponte dos Ingleses. Foto: Naiana Gomes

Vista da Ponte dos Ingleses. Foto: Naiana Gomes

O conhecimento mais amplo das possibilidades do local faz com que vários fortalezenses tenham para ele usos mais diversificados: no entorno da ponte, uma grande quantidade de surfistas disputam ondas e enfeitam a paisagem, em alguns dos pontos mais altos da estrutura de madeira, casais e grupos de amigos se deitam para olhar o céu e conversar. Basta se distanciar um pouco do píer para encontrar vendedores de milho e pipoca.

Mais um passo e o mundo é novo. Uma menininha de vestido branco olha admirada para o céu. Quando lhe perguntamos o que ela está achando mais bonito, na ponte, a resposta é imediata: “a lua”. É Joana, de três anos, acompanhada pela mãe, Yolene Lima, 35. As duas moram no Rio de Janeiro, estão em Fortaleza pela segunda vez e tinham ido à ponte para ver o pôr-do-sol. “Mas, quando chegamos, o sol já tinha ido embora”, explica a mãe.

A carioca Yolene Lima e sua filha Joana: pôr-do-sol na Ponte. Foto: Naiana Gomes

A carioca Yolene Lima e sua filha Joana: pôr-do-sol na Ponte. Foto: Naiana Gomes

Os alicerces da paisagem

Yolene também repara na estrutura da ponte: “acho legal ela ser de madeira e ter durado tanto tempo”, comenta. A conservação do local é resultado de duas reformas, a primeira ocorreu em 1994 e a segunda em 2012. Apesar de, na mais recente delas, a ponte ter sido fechada por mais de um ano, o que possibilitou a troca de tábuas danificadas e aplicação de hidrofugante para proteger o concreto armado, cupinicida e verniz naval, pouco foi feito para garantir a manutenção da estrutura de apoio aos frequentadores: sete meses depois, os banheiros estão interditados e não há lojas e restaurantes em funcionamento. São carências sérias que, no entanto, não ofuscam a beleza da Ponte dos Ingleses.

Problemas de manutenção: banheiros e outras estruturas de apoio aos frequentadores estão inutilizáveis. Foto: Naiana Gomes

Problemas de manutenção: banheiros e outras estruturas de apoio aos frequentadores estão inutilizáveis. Foto: Naiana Gomes

Saiba mais

Ponte dos Ingleses é reaberta

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Um monte de areia, um monte de possibilidades

Com espaço de sobra, Aterro da Praia de Iracema é um dos locais mais procurados para a prática esportiva na capital cearense. Durante o ano inteiro, o local recebe grupos de atletas de final de semana que praticam os mais variados esportes, do vôlei ao futebol americano. 

Por Samuel Quintela e Weyna Macêdo

Opção para os famosos atletas de fim de semana que não tem para onde “ir”, o Aterro da Praia de Iracema acaba sendo o refúgio predileto para aquelas pessoas que anseiam começar a praticar algum tipo de esporte, mas não possuem seu próprio CT (centro de treinamento) ou sua própria pista de atletismo no quintal de casa. Mais conhecido pelas festas de Réveillon na capital cearense, o Aterro também é palco para a tão famosa e moderna “geração saúde” no resto do ano.                                                                                                                                                           

Um monte de areia: 

A obra do porto Mucuripe em 1940, fez com que toda a dinâmica do litoral de Fortaleza se modificasse. A praia do Futuro teve um ganho de meio quilômetro em sua faixa de praia, enquanto a praia de Iracema foi perdendo 200 metros de praia ao longo dos 50 anos que se sucederam.

Para conter o grande avanço do mar e sua constante erosão, a prefeitura da cidade de Fortaleza construiu o Aterro Hidráulico da praia de Iracema, dividindo diversas opiniões e pontos de vista. O Aterro consiste 1.500.000 m³ de sedimentos, inseridos entre a Avenida Beira Mar, e Rua Idelfonso Albano. O projeto inicial previa um volume de areia bem maior, porem com os protestos dos surfistas e moradores da região a prefeitura refez o projeto diminuindo o banco de areia, para assim poder manter o Havaizinho, (pico de onda dos surfistas) com isso o aterro passa a não ter tanto poder como na ideia anterior.

O mar continua a avançar, e o aterramento não se mostrou estável, e sofreu enorme processo erosivo durante as ressacas. E dessa forma o local passou por um processo de “engorda” em 2012, e trata-se do aterramento compreendido entre a Rua João Cordeiro e o Boulevard Almirante Tamandaré.

Um monte de esportes:

Com espaço de sobra a disposição, o Aterro da Praia de Iracema “abriga” diversos fortalezenses sem-teto nos esportes. Pessoas se reúnem para praticar desde o futebol até o inusitado slackline, esporte criado na Califórnia (EUA) em meados na década de 80 que consite em equilibrar-se em uma fita esticada entre dois pontos de apoio (para saber mais sobre o slackline clique e confira a matéria realizada pelo PETv na terceira edição do Conexões).

Thiago Rego (esq.) pratica slackline todo final de semana e ainda sobra tempo para ensinar quem vê o esporte pela primeira vez. FOTO: Samuel Quintela.

Thiago Rego (esq.) pratica slackline todo final de semana e ainda sobra tempo para ensinar quem vê o esporte pela primeira vez. FOTO: Samuel Quintela.

Criado em 2009, o time de futebol americano do time A.S. Roma Gladiadores, que atualmente conta com 58 atletas, treina todos os domingos das 14 às 17:30. Tarcísio Gomes, técnico dos Gladiadores, contou que o time escolheu o Aterro da Praia de Iracema como centro de treinamento desde o primeiro dia de treinos.

Mesmo sendo um time jovem, os Gladiadores já se preparam para disputar o campeonato brasileiro de futebol americano em 2014. FOTO: Samuel Quintela.

Mesmo jovem, o time dos Gladiadores já se prepara para disputar o campeonato brasileiro de futebol americano em 2014. FOTO: Samuel Quintela.

A grande variedade de esportes foi o que mais chamou a atenção de um grupo de amigos de Morada Nova que joga volei todos os finais de semana nas areias da Praia de Iracema. Alexandre Nogueira afirmou que a escolha do local para o rachão de fim de semana foi justamente a facilidade de socialização com os outros esportes.

Cauã Nóbrega (esq.) conta que seu grupo se reúne todos os domingos das 17h às 20:30h para jogar vôleibol. FOTO: Samuel Quintela.

Cauã Nóbrega (esq.) conta que o grupo se reúne todos os domingos no Aterro  para jogar vôlei das 17h às 20:30h . FOTO: Samuel Quintela.

O casal Rômulo Melo e Ana Larissa Barros também escolheu o aterro para suas sessões treino, praticando cooper todos os finais de semana. Ana Larissa conta que nunca foi assaltada e a tranquilidade é o que mais chama a atenção para a prática esportiva no local.

Casal Ana Larissa  Barros (esq) e Rômulo Melo (dir.) fazem um treino de aproximadamente 1 hora todo final de semana.  FOTO: Samuel Quintela.

Casal Ana Larissa Barros (esq) e Rômulo Melo (dir.) fazem um treino de aproximadamente 1 hora todo final de semana. FOTO: Samuel Quintela.

Links Relacionados: 

Os efeitos da corrida na praia

Queima de fogos durante o Réveillon de 2013

Falta de projetos sociais atinge Vila do Mar

Apesar das ações de revitalização feitas pela prefeitura no antigo Grande Pirambu, moradores ainda reclamam da falta de segurança e de projetos sociais para a área

por Analu Morais, Cláudio Abreu e David Medina
Calçadão da Avenida Costa Oeste revitalizado após projeto Vila do Mar. Créditos: David Medina
Calçadão da Avenida Costa Oeste revitalizado após projeto Vila do Mar.
Créditos: David Medina

Entregue oficialmente à população em dezembro de 2012, o projeto Vila do Mar, investimento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em parceria com a Prefeitura de Fortaleza, já urbanizou e requalificou 5,5 Km da orla da região antes denominada Grande Pirambu, beneficiando cerca de 300 mil famílias. Entretanto, mesmo após a inauguração, os moradores da área ainda sofrem com o abandono. Isto porque a mudança foi majoritariamente estrutural, já que os projetos sociais dos órgãos administrativos da capital quase não chegam por lá.

Boa parte das reclamações se dá pela natureza das reformas. Segundo Ilma Pequeno da Silva, marisqueira e presidente da Associação de Pescadores do Vila do Mar, as melhorias estruturais não são suficientes. Apesar das mudanças, a insegurança ainda é grande na área. “Tá faltando muita segurança aqui. É muito perigoso, tem muito assalto. E as mães ficam preocupadas com os filhos, pois não tem nada pra ocupar as crianças de 10, 12 anos. Aí tem que brincar na rua”.

Ilma Pequeno da Silva é marisqueira. Apesar de ser a única em sua família que tem envolvimento com o mar, Ilma toma conta da Associação de Pescadores do Vila do Mar.Créditos: Cláudio Abreu
Ilma Pequeno da Silva é marisqueira. Apesar de ser a única em sua família que tem envolvimento com o mar, Ilma toma conta da Associação de Pescadores do Vila do Mar.
Créditos: Cláudio Abreu

Ilma Pequeno ainda relata que, apesar da maior frequência com que as viaturas do Ronda do Quarteirão passam no local, são poucas as abordagens feitas aos suspeitos e que nem todas as áreas da orla são bem atendidas. Além disso, faltam atividades que contemplem todos os moradores. “Perto da Avenida Theberge, a área lá é toda ocupada. Tem um parquinho, tem um pessoal que aluga aquelas motinhas pras crianças brincarem, tem barraquinha de comida. Agora aqui não tem condição de colocar nada, por causa dos ladrões”, afirma.

Zeneida Teixeira, 71, é moradora da Barra do Ceará e diz ter visto a região mudar completamente. Ela conta que as casas que haviam no entorno da orla foram derrubadas, e as famílias realocadas para dar lugar ao calçadão e a Avenida Costa Oeste, o que beneficiou o bairro. Contudo, Zeneide aponta que equipamentos como quadras poliesportiva são mal distribuídos. “Uma coisa que está faltando aqui é brinquedos para as crianças brincarem. Eles instalaram só mais lá pra cima, aqui embaixo não tem. Os bichinho ficam só brincando de bola na calçada o dia todo”, comenta.

Projetos Sociais

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As crianças que vão para a Associação de Pescadores do Vila do Mar estão sempre em atividade. Na foto, trabalhos artísticos das crianças da região feitos com mariscos.
Créditos: Cláudio Abreu

Atualmente, a maioria dos projetos desenvolvidos nas comunidades locais não são de iniciativa da prefeitura. Instituições diversas, como a comunidade católica Shalom e a empresa de empreendedorismo e consultoria PEC-Polar, proporcionam cursos e oficinas.

Parte das atividades são desenvolvidas na Capatazia do Arpoador, sede da Associação de Pescadores, como afirma Ilma Pequeno. A sede, que beneficia famílias de pescadores e moradores da região, conta com biblioteca, espaço de recreação e reunião, além de consultórios para atendimentos médicos e odontológicos. Segundo Ilma, a sede é mantida com uma contribuição mensal de cada pescador cadastrado. “Nós fazemos ações sociais também com o pessoal daqui. Trazemos o pessoal para verificar pressão, glicemia, oculista e tudo mais. Até para tirar documento. Normalmente acontece todo mês”, explica.

Mudança de gestão

Uma das grandes preocupações dos moradores do Vila do Mar é a mudança de gestão da Prefeitura Municipal de Fortaleza, visto que o projeto foi implementado pela antiga prefeita, Luizianne Lins. Ilma Pequeno conta que, até o momento, nenhum representante da atual gestão visitou a região para dar continuidade ao projeto. “As obras estão paradas, a não ser que volte em março, mas até agora tá tudo parado”, diz.

Segundo informações do site oficial da Prefeitura de Fortaleza, logo nos primeiros dias da nova gestão, representantes da Fundação de Desenvolvimento Habitacional de Fortaleza (Habitafor) e membros de construtoras com contratos com o órgão visitaram a Regional I, onde se localiza o Vila do Mar, para avaliar a continuidade do projeto. Ao todo, 800 famílias esperam ser remanejadas e mais 4 mil casas aguardam benefícios de reformas. A ação ainda prevê a criação de projetos sociais e de geração de trabalho e renda. Procurada para explicar sobre a continuação das obras do projeto Vila do Mar, a Prefeitura, por meio da assessoria de imprensa da Habitafor, informou que o projeto ainda não está concluído e que as obras devem ser retomadas para fazer os ajustes finais. Questionado sobre as melhorias que o Vila do Mar traz para a população, o órgão explicou que as unidades habitacionais já estão todas em fase de conclusão, já que um terreno foi entregue.

Em relação aos projetos sociais que envolvem as famílias locais, a prefeitura abordou que existem trabalhos sociais que são realizados tanto pela equipe que orienta o diálogo com as famílias como também o trabalho transversal de saúde, esporte, cultura e meio ambiente. Também está prevista a construção de um anfiteatro e de mais quadras poliesportivas.

Beira-Mar Oeste

Calçadão
Apesar da beleza do local, a falta de circulação de pessoas ainda é visível.
Créditos: David Medina

Mesmo diante de tanta falta de segurança, os moradores são felizes com a moradia no Vila do Mar. As belezas da praia da Marinha e do Rio Ceará dão um toque especial para os olhos de quem passa por ali. Para seu Francisco Antônio, 73, morador do bairro há 50 anos, só é preciso fazer com que a revitalização da região seja conhecida. “Tem trazer mais gente para olhar o trabalho que eles (prefeitura) fizeram por aqui. Só falta chegar mais gente. Aí fica ainda melhor”, avalia. Para ele, a diferença entre a Beira-Mar e a Vila do Mar está apenas nos visitantes que passeiam nos calçadões.

Para ver as belezas do Grande Pirambu antes de visitar o local, assista ao vídeo abaixo e conheça a outra Beira-Mar de Fortaleza.

A nova Rua dos Tabajaras

Localizada na Praia de Iracema, a rua vem sofrendo uma série de transformações por meio de novas atrações e um novo público cativo.

por Flávio Augusto, Pedro Henrique e Rhaiza Lima

A Rua dos Tabajaras tem se reinventado e começa a adquirir um novo status. O local que deixou de ser relacionado a drogas e prostituição, agora é ponto de encontro da juventude fortalezense em seus vários bares, restaurantes e casas noturnas. E em breve também será espaço de outras manifestações culturais com a nova programação do Estoril.

Pioneirismo Holandês

O maior responsável pelo sucesso recente da região é o holandês Alexander Broms, 32. O empresário chegou ao Brasil em 2009 e logo resolveu investir na Rua dos Tabajaras. “A praia de Iracema para mim é o lugar mais lindo de toda Fortaleza”, justifica a preferência.

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O empresário Alexander Brom conta como ajudou a levantar o astral da rua

Dono de um bar, um Café e a famosa casa de shows “Brom’s Party House”, Alexander diz que sempre foi seu objetivo trazer o público fortalezense para frequentar o local além dos turistas. A casa toca desde samba, pagode ao eletrônico e o rock, sempre abrindo as portas para novas bandas que surgem. Com uma forte política antidrogas e prostituição, o advogado preza pelo público comum, que deseja se divertir com os amigos e ouvir boa música. “Há pouco tempo, muitos pais aqui na cidade não aceitavam que os filhos frequentassem a Praia de Iracema”, lamenta.

A rua dos outros

A moradora Maria Cristina conta que a movimentação da rua cresceu bastante após as reformas no calçadão. “O movimento cresceu muito, abro as janelas e vejo os turistas passando, famílias se encontrando. É uma ótima sensação, não parece mais a lugar de antes”. O vendedor Reginaldo e o segurança Francisco Sérgio também deram seus depoimentos sobre a transformação da rua, confira no vídeo a seguir:

Estoril

Patrimônio tombado em caráter definitivo pelo município em 19 de setembro de 1986, o Estoril é um importante equipamento cultural de Fortaleza. No momento, o prédio se encontra sem programação definida e só vêm realizando eventos esporádicos, como a Feira da Música e a Bienal de Dança. No entanto, tem grande potencial para engrandecer a Rua dos Tabajaras e a região.

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Funcionando anteriormente como restaurante, o Estoril passou por sua última reforma entre 2008 e 2010, onde se foi gasto R$250 mil. Na nova gestão do secretário Magela Lima, iniciada este ano, o termo de Permissão de Uso de Bem Público concedido à antiga empresa permissionária do Estoril foi anulado devido à precariedade da permissão de uso.

O secretário afirmou que esta semana sai o novo edital de licitação para ocupação das áreas comerciais, mas deixou claro que independente do tipo de empreendimento, será apenas um anexo das atividades do prédio.

Novas possibilidades

“Com o retorno gradativo do seu funcionando, acreditamos que a região da Praia de Iracema, consequentemente, também será beneficiada, posto que a partir do momento que a população se sente pertencente ao espaço, é possível que o poder público conheça suas reais demandas e expectativas para aquele equipamento” destaca o secretário.

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Vida Nova ao Velho Estoril

O Destino do Estoril

Página da Secretaria da Cultura

Feira como expressão da cultura regional

Manifestação de costumes, hábitos e comportamentos cearenses, a Feirinha da Beira Mar se mostra como um dos mais tradicionais pontos turísticos de Fortaleza

Por Natália Guerra e Rochelle Guimarães

            Das famosas camisetas coloridas e estampadas com os principais pontos turísticos locais às lembrancinhas feitas com matéria-prima regional, quando se pensa em artesanato cearense quase tudo pode ser encontrado na famosa Feirinha da Beira Mar. Situada no calçadão da Avenida Beira Mar, em Fortaleza, a Feirinha é, sem dúvidas, parada obrigatória para os turistas que desejam levar um pedaço do estado que atrai cerca de três milhões de turistas por ano.

            A feira, que existe desde a década de 1980, tornou-se não só o principal espaço onde os artesãos cearenses podem vender seus trabalhos, mas um símbolo da cultura local. Conhecida e valorizada por ser uma atividade original, criativa, manual e que tende a resistir ao processo industrial, o artesanato representa as manifestações de um povo e de seus costumes. Lá, o peso da tradição parece ganhar dos encantos de um produto industrializado.

Feirinha da Beira Mar é um dos principais pontos turísticos de Fortaleza. Foto: Prefeitura de Fortaleza/Divulgação

Artesanato cearense, um dos patrimônios culturais do estado, atrai turistas o ano todo e fortalece economia local. Foto: Prefeitura de Fortaleza/Divulgação

            O dourado vibrante das bijuterias da barraca de Helaine Dias (22) e Nivea Aguiar (35) chama atenção de quem passa pelos corredores da feira. Juntas, elas produzem e vendem brincos, colares, pulseiras, bolsas e objetos de decoração em capim dourado. Segundo as artesãs, a beleza natural do material, que faz lembrar a elegância do ouro, é a alma do negócio. A matéria prima, que vem do município de Jalapão, em Tocantins, de haste fina e de intenso tom metálico, pode dar vida a graciosas peças artesanais.

O refinamento das peças e o brilho natural da matéria prima formam um casamento perfeito que atrai a atenção de quem passa. Foto: Natália Guerra

O refinamento das peças e o brilho natural da matéria prima formam um casamento perfeito que atrai a atenção de quem passa. Foto: Natália Guerra

            “Ela é o gênio de tudo”, respondeu Nivea quando questionada sobre quem desenhava os modelos das bijuterias. Ela, na ocasião, é Helaine que disse não ter dificuldades em pensar o design de cada modelo vendido na barraca. A jovem acrescentou ainda dizendo que “nosso trabalho não envolve nada de maquinário, é tudo manual”. O trabalho é, de fato, minucioso e cada peça ali apresentada parece ter sido arquitetado com toda dedicação possível.

Helaine Dias confessou que não há o planejamento prévio de cada peça. A criatividade do momento é quem dá forma ao seu trabalho. Foto: Natália Guerra

Helaine Dias confessou que não há o planejamento prévio de cada peça. A criatividade do momento é quem dá forma ao seu trabalho. Foto: Natália Guerra

O capim que só brota nas veredas do Jalapão torna-se, nas mãos de artesãos como Helaine e Nivea, verdadeiras obras primas de beleza ímpar. Foto: Natália Guerra

O capim que só brota nas veredas do Jalapão torna-se, nas mãos de artesãos como Helaine e Nivea, verdadeiras obras primas de beleza ímpar. Foto: Natália Guerra

Do estudante de História jubilado que se tornou artesão          

            Raimundo Rios Neto está na feira há 30 anos e não lhe faltam histórias sobre o lugar. Típico contador de causos, o senhor de 55 anos confessou, entre risos, já ter vivido, entre um venda e outra, muitos casos amorosos.

            Seu Raimundo, como é conhecido, vende peças de decoração feitas de argila de massapé, um tipo de matéria prima própria de nosso solo semiárido. Pequenos sertanejos, santos, casal dançando forró e outros ícones da cultura cearense colorem a barraca do artista.

            “A maioria das peças é produzida por mim, mas não consigo dar conta de tudo, acabo pegando peças feitas por outros artesãos”, declarou seu Raimundo ao falar sobre o visível aumento de barracas vendendo produtos manufaturados. Apesar disso, ele acredita que a feira já faz parte da história, da cultura cearense.

Quando fala dos anos de dedicação ao artesanato, seu Raimundo demostra seriedade e um ar saudosista, mas quando o assunto é as aventuras amorosas ao longo desse tempo, ele não contém o riso.

Quando fala dos anos de dedicação ao artesanato, seu Raimundo demostra seriedade e um ar saudosista, mas quando o assunto são as aventuras amorosas ao longo desse tempo, ele não contém o riso. Foto: Natália Guerra

“O trio é a mesma coisa!”, disse o artesão sobre o seu trabalho. Segundo ele, cada peça ali disposta em sua barraca conta um pouco de quem é o povo nordestino e que a feira ajuda a compor parte dessa identidade dos cearenses.

As cores vibrantes, o nordestino sanfoneiro, o casal embalado pelo ritmo envolvente do forró, as peças da barraca do seu Raimundo são pequenos pedaços da história do povo cearense. Foto: Natália Guerra

As cores vibrantes, o nordestino sanfoneiro, o casal embalado pelo ritmo envolvente do forró, as peças da barraca do seu Raimundo são pequenos pedaços da história do povo cearense. Foto: Natália Guerra

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Aniversário de 15 anos do Dragão do Mar é comemorado com grande reforma

Em abril de 2013, o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC) completa 15 anos de fundação. Em comemoração à data, o centro cultural será reformado e revitalizado.  O investimento do Governo do Estado do Ceará será de R$ 9 milhões, visando uma revisão geral na infraestrutura do equipamento cultural.

Monique Martins, Rebeka Lúcio e Sarah Cavalcante

No Espaço Rogaciano Leite Filho, o palco sob a passarela apresenta uma programação variada. Na foto, apresentação do Maracatu Solar. Foto: Rebeka Lúcio.

No Espaço Rogaciano Leite Filho, o palco sob a passarela apresenta uma programação variada. Na foto, apresentação do Maracatu Solar. Foto: Rebeka Lúcio.

O centro cultural, desenhado pelos arquitetos e autores Fausto Nilo e Delberg Ponde de Léon, congrega vários espaços destinados ao lazer urbano, à produção e à difusão da arte e da cultura. Dentre esses espaços, destacam-se o Memorial da Cultura Cearense, o Museu de Arte Contemporânea, o Teatro Dragão do Mar, o Cine Dragão do Mar, o Anfiteatro Sérgio Mota e o Planetário Rubens de Azevedo.

De acordo com a Assessoria de Comunicação do CDMAC, a reforma terá duração total de nove meses. A obra foi iniciada na antiga Capitania dos Portos, que sediará a Escola Porto Iracema das Artes, que nasce com o desafio de resgatar o projeto original do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, pensado como um lugar de criação, de formação e de difusão de cultura.

 Ainda segundo a assessoria, o equipamento receberá as seguintes melhorias: revisão elétrica e hidráulica; modernização de espaços como cinemas, auditório e teatro; atualização do sistema de automação e de vigilância; projetos luminotécnicos e paisagistas; melhoria da cabine de luz e de som do anfiteatro; restauração do painel de Aldemir Martins; e aprimoramento da acessibilidade e da inclusão.

"O Sagrado Coração do Ceará" é uma atração gratuita e reúne peças de vários locais, como Museu Diocesano Dom José de Sobral, Museu de Arte Sacra de Aquiraz, Museu Jaguaribano de Aracati, Museu Padre Cícero do Horto de Juazeiro, Casa dos Milagres Juazeiro do Norte, Museu do Ceará de Fortaleza.Foto: Monique Martins

“O Sagrado Coração do Ceará” é uma atração gratuita e reúne peças de vários locais, como Museu Diocesano Dom José de Sobral, Museu de Arte Sacra de Aquiraz, Museu Jaguaribano de Aracati, Museu Padre Cícero do Horto de Juazeiro, Casa dos Milagres Juazeiro do Norte, Museu do Ceará de Fortaleza.
Foto: Monique Martins

 A revitalização do espaço cria expectativa na população cearense. Flaviene Vasconcelos, estudante de Ciências Sociais da UFC e frequentadora do local há dez anos, expõe sua opinião. “Devem ser levadas em consideração questões estruturais, como estacionamento, segurança e novos espaços para novas linguagens, sobretudo tecnológicas, mas a reforma principal deve ser sob a ótica da democratização do espaço. O Dragão do Mar tem potencial para se tornar uma referência nacional no que diz respeito ao direito universal à cultura.”

 A estudante também relata sobre a importância do local. “O equipamento possui uma estrutura que permite abrigar os maiores e melhores espetáculos do país. Ele se constitui como um importante centro de formação artística e cultural para a população, além de ser uma vitrine para a produção artística local. Além de ser ponto de encontro de jovens e adultos, que partilham ali momentos de lazer e amizade”, afirmou Flaviene.

Com diversas atrações, o Centro Cultural é um excelente ponto de encontro. Foto: Rebeka Lúcio.

Com diversas atrações, o Centro Cultural é um excelente ponto de encontro. Foto: Rebeka Lúcio.

Confira vídeos que mostram a opinião de diferentes públicos sobre o Centro Dragão do Mar:

vídeo 2 | vídeo 3vídeo 4

Mais informações:

Localização do CDMAC

Site

Programação

Galeria de fotos (para acessar a galeria completa, clique aqui.):

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