Vozes da praia

Conheça histórias de quem foi acolhido ou escolheu a praia como local de trabalho.

O Ministério da Saúde adverte: ir à praia faz bem à saúde. Não estamos falando simplesmente de sentar à beira-mar, tomar uma água de coco ou uma cerveja gelada. Estamos falando sobre apurar os sentidos e vivenciar o ambiente praiano na sua amplitude. É importante usar os cinco sentidos em uma sinestesia sem igual.

Ao longo dos três quilômetros da avenida Beira Mar, cartão postal da capital cearense, centenas de histórias vão sendo desenhadas diariamente. Relatos de afetos, sonhos e desabafos vão se desenrolando como o vai e vem das ondas do mar. A praia personifica-se e cria com seus transeuntes uma relação matrimonial, onde o auge da relação é o deleite com o banho do mar e o tato dos pés com a areia fina. Você pode saber saber mais sobre a avenida clicando aqui.

Entrevistamos três personagens com diferentes visões da praia: trabalho, descanso e afeto. Mas e o que eles apresentam em comum? Simples. Esses indivíduos, tão singulares e singelos ao seu modo, não apenas estão ali para contemplar tudo aquilo que foi delineado a mão na orla de Fortaleza; querem vivenciar dia-a-dia as bonanças praianas, ou parafraseando Zeca Pagodinho, “deixando a onda lhes levar”. Confira aqui o nosso podcast e dê uma olhada na nossa matéria.

 

Lugar de Trabalho

Calebe, 18, professor de surfe.

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Imagem: Thiago Matos


Alegria grande é trabalhar com o que gosta! Surfista desde os 4 anos de idade, quando aprendeu a surfar com o seu pai na praia do Titanzinho, Calebe adotou a praia do Naútico – na avenida Beira Mar – como seu lugar de trabalho e de sustento. Sua relação com o mar, com a natureza e o contato direto com as crianças que ensina é o que mais gosta do seu trabalho na praia. Tendo o surf como paixão, Calebe brilha os olhos e convida você para suas aulas diárias.

Leia a entrevista completa aqui.

Conheça outras atividades esportivas presentes na beira mar de Fortaleza além do surfe.

 

Lugar de Respiro

Fernando*, professor de natação.

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Imagem: Thiago Matos

Dizem que o mar tudo cura. Amores, mazelas e a própria saúde. Foi no mar que Fernando encontrou forças após realizar um intervenção cirúrgica que o afastou do trabalho. Licenciado do trabalho formal e na busca pela aposentadoria, encontrou no hobby diário uma forma de complementar sua renda. Há 1 ano e 9 meses nadando e inserindo pessoas nas práticas náuticas, decidiu adotar a praia como local de trabalho e, também, de respiro.

*Fernando: Nome fictício para preservar a identidade do entrevistado.

Leia entrevista completa aqui.

Lugar de Afeto

Washington, 28, garçom.

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Imagem: Luciano Rodrigues

A praia como lugar de quase encontro com Deus. É assim que Washington descreve sua relação com o mar e a praia do Naútico. Sua relação com o mar vai além da relação trabalhista como garçom. Para ele a praia é um lugar quase divino. Mas essa percepção não foi estabelecida de forma consciente. Após o divórcio e com o sofrimento causado pelo estresse cotidiano buscou nas areias da praia a calmaria para o seu coração e para sua alma. Toda os dias de manhã, quando seus pés alcançam as areias da praia, caminha até a beira do mar, toca na água e pede proteção para começar mais um dia.

Leia entrevista completa aqui.

 

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Washington: uma relação quase divina com o mar

Entrevista na íntegra com Washington, 28 anos, garçom de barraca de praia.

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Washington preferiu não ser fotografo, mas registramos o seu local de trabalho. Imagem: Jéssica Queiroz

Então, Washington, conta pra gente como é essa tua relação de trabalhar na praia, trabalhar no mar todo dia.

“Bom, eu preferi trabalhar no mar porque eu gosto da praia. Eu gosto de ficar assim de frente pra praia, que é como se fosse uma relação com Deus. Eu me sinto mais próximo de Deus quando eu tô na praia. Mas eu vim parar aqui num foi por causa disso, foi por causa de estresse, foi por causa de separação, foi por causa de família. Aí hoje eu tô aqui.”

Você mora aqui perto da praia?

“De ônibus, fica mais ou menos quinze minutos. Eu moro no Pirambu.”

E como é essa tua relação com o mar lá no Pirambu?

“É porque lá eu não tenho tempo, e aqui é um ambiente de trabalho. Aí aqui eu fico mais próximo do mar, porque é um ambiente de trabalho, e lá eu já não tenho tempo.”

Você trabalha na praia há quanto tempo?

“Quatro anos.”

E nesses quatro anos, o que tu mais viu de ‘fora da caixa’? O que de mais diferente tu fez ou faz durante o teu dia?

“Não, pra mim é tranquilo. Pra mim não teve nada de extraordinário, ou alguma coisa assim. Pra mim é mais ou menos a mesma situação. Final de semana é mais apertado, por causa de trabalho; sábado e domingo, ou então feriado. Domingo já é mais vago, já é um pouco mais tranquilo. Mas, de extraordinário, nada. Por enquanto, da minha parte, não.”

E nos dias livres, Washington, tu faz o quê? Tu aproveita pra curtir a praia?

“Mergulho, pesco com arpão…”

Tu pesca com arpão? Onde?

“Ou aqui no Náutico, ou no Marina.”

Tu pesca com grupo ou sozinho? Com cilindro?

“Sozinho, sem cilindro. É só a máscara de mergulho, o arpão, um saquinho de fibra pra poder recolher os peixes, ou então, se tiver – se tiver! – alguma lagosta, ou alguma coisa assim.”

Então tu realmente tem uma relação muito próxima com o mar, tanto com o lazer, quanto com o trabalho… Tu sempre tá pertinho.

“Pra mim, da minha parte pessoal, tanto faz… Eu tando perto, é o que importa. Eu gosto de tá perto do mar… O resto é resto. Às vezes eu digo assim, que era pra eu ter nascido um peixe. Toda vez de manhã, eu venho pra cá, toco na água e me benzo, aí sim começou o dia.”

Fernando: a praia como válvula de escape para o estresse do dia-a-dia

Entrevista completa com o professor de natação Fernando*.

 

Fernando, há quanto tempo você trabalha na praia?

“Eu trabalho na praia exatamente há um ano e nove meses.”

E quando você decidiu adotar a praia como local de trabalho?

“Primeiramente, por conta da minha saúde. Ao mesmo tempo que eu trabalho na praia dando aulas, eu posso treinar e recuperar a minha parte física, devido a um processo de cirurgia.”

Em relação à saúde espiritual e mental, você acha que a praia também ajuda?

“A praia ajuda muito nessa parte porque você tá em sintonia, em harmonia com a natureza, com as pessoas, com tudo o que Deus fez pra você aproveitar. Então eu vejo o mar, a praia, como uma válvula de escape para o estresse do seu dia a dia.”

Então o que você mais gosta em trabalhar na praia é essa questão da válvula de escape?

“Assim, isso também faz parte. Além da natação, a gente rema, faz algumas travessias com os amigos, que a gente vê bastante, pesca… O mar, a praia, a água, pra mim é tudo.”

 

*Fernando: Nome fictício para preservar a identidade do entrevistado.

 

Calebe e a paixão pelo surfe

Entrevista na íntegra com Calebe Sobrinho, professor de surfe.

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Calebe surfa desde os quatro anos e ensina desde os dez. Imagem: Thiago Matos

Calebe, há quanto tempo você trabalha na praia?

“Bom, já faz em torno de oito anos. Eu comecei a surfar com quatro e hoje tenho dezoito. Mas como professor mesmo, faz oito anos.”

O que você mais gosta em trabalhar aqui?

“O que eu mais gosto é da relação com o mar, da natureza… E como eu trabalho também com crianças, as crianças também me fazem querer continuar nesse trabalho cada dia mais.”

As crianças te inspiram?

“Exatamente. Com certeza.”

Como um todo, o surfe de fato é a tua paixão?

“Com certeza, a minha paixão. Como eu já disse, eu comecei a surfar com quatro anos, muito novo, meu pai quem me inseriu nesse mundo. Então, desde lá e até hoje, eu nunca consegui parar de surfar, ‘brother’. O surfe é realmente a minha paixão, é o que me faz feliz.”

Um rolê no Benfica: os bares da Gentilândia

Localizado entre a Avenida da Universidade e a 13 de Maio, a praça atrai toda gente à procura de uma boa bebedeira

Por Lídia Ribeiro, Vinicius França e Myrella Marques.

O clima ébrio e boêmio da praça da Gentilândia, localizada no bairro Benfica, atrai toda a sorte de pessoas para esta região, que é uma das mais movimentadas de Fortaleza, especialmente à noite. As barraquinhas de comida, o som dos skates deslizando e batendo na pista, as miçangas postas à venda devidamente expostas sobre as toalhas dos hippies e – claro – as figuras noturnas andando de um lado para o outro formam o cenário que beira o onírico, na medida que uma mente alcoolizada pode imaginar. E não há lugar que reúna mais mentes alcoolizadas do que os bares, e os bares da Gentilândia não deixam nada a desejar às outras regiões mais abastadas da cidade.

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Bar na Gentilândia chega a vender até 360 litros de cerveja por noite

No ranking mundial, o Brasil ocupa a 17ª posição dos países que mais consomem cerveja. A média de consumo dos brasileiros é de 82 litros por pessoa, ao ano. Em 2015, o consumo brasileiro sofreu uma queda de 20%, devido à redução da renda do brasileiro, que impactou diretamente no consumo de bens, no caso a cerveja, e na sua produção.

No Ceará, a média de consumo por pessoa é bem menor, cerca de 24 litros. No entanto, os meses de dezembro, janeiro e fevereiro acarretam um aumento considerável dessa média, devido o aumento do fluxo turístico no período.

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ARTE

Com as palavras, os poetas

Alunos da Universidade Federal do Ceará (UFC) procuram um outro lado na academia: o artístico

Por Eldo Pereira, Bertany Pascoal e Rodrigo Rodrigues

 

Dizem que todo mundo gosta de música. Que não é possível, em sã consciência, existirem mentes afastadas das melodias. Relatam que o som do violão roça o ouvido com carinho e, com vida, convida. E tem gente que se mexe. Que respira estático, mas, quando em movimento, se exerce. Põe-se em prática. Tem gente que mora no movimento, tem gente que mora nas palavras. Tem gente que diz, que se diz. Tem gente que mora em página, qualquer página, e que vai construindo a própria casa. Continue lendo “ARTE”